O Sistema de Gestão para Empresas de Telecom, Linhas Telefônicas e IPTV
X-Box

Xbox One hackeado após 13 anos: falha de hardware pode permitir desbloqueio do console

Xbox One é hackeado após mais de uma década e pode finalmente abrir caminho para desbloqueios

Xbox One hackeado após 13 anos: falha de hardware pode permitir desbloqueio do console
Xbox One hackeado após 13 anos: falha de hardware pode permitir desbloqueio do console
Índice

Lançado em 2013, o Xbox One sempre foi conhecido como um dos consoles mais resistentes à pirataria já criados. Durante mais de uma década, pesquisadores e hackers tentaram encontrar brechas em seu sistema de segurança — sem grande sucesso. No entanto, essa história pode estar prestes a mudar.

Durante a conferência RE//verse 2026, o pesquisador de segurança Markus “Doom” Gaaseleden revelou uma descoberta surpreendente: um método capaz de obrigar o console a executar códigos não verificados por meio de um ataque conhecido como glitch de voltagem. A técnica deu origem a uma ferramenta chamada Bliss, que pode representar um dos maiores avanços já vistos na engenharia reversa do console da Microsoft.

Embora ainda esteja em estágio inicial, a descoberta já chamou a atenção da comunidade de tecnologia e preservação de jogos, pois pode ter implicações importantes tanto para pesquisa quanto para a história dos videogames.

A descoberta que pode mudar o futuro do Xbox One

A pesquisa apresentada por Gaaseleden mostrou que é possível explorar o sistema interno do console manipulando pequenas variações de energia durante o processo de inicialização.

Para chegar a esse resultado, o pesquisador desenvolveu hardware personalizado capaz de analisar o funcionamento interno do Xbox One em nível extremamente detalhado. Esses dispositivos permitiram observar sinais elétricos e comportamentos do sistema durante o boot do console.

Depois de diversos testes, Gaaseleden identificou dois glitches de voltagem que ocorrem em sequência em momentos críticos da inicialização do sistema.

Essas pequenas interferências são suficientes para quebrar uma das camadas mais importantes de proteção do console, permitindo que o sistema aceite códigos que normalmente seriam bloqueados.

Segundo o pesquisador, o processo não é simples. Ele exige equipamentos específicos e conhecimento avançado de engenharia reversa. Mesmo assim, a descoberta representa um marco importante na compreensão da arquitetura de segurança do console.

Como funciona o Bliss

A ferramenta criada pelo pesquisador recebeu o nome de Bliss e funciona explorando diretamente a CPU do console.

O Xbox One utiliza um processador com arquitetura ARM Cortex, protegido por várias camadas de segurança projetadas pela Microsoft. Essas proteções incluem verificação de assinatura digital e sistemas de validação que impedem a execução de softwares não autorizados.

O Bliss consegue contornar essas barreiras ao interferir no momento exato em que o console valida determinados processos internos.

Quando o glitch acontece, o sistema pode ser induzido a aceitar comandos que normalmente seriam rejeitados. Isso permite que pesquisadores executem códigos personalizados dentro do sistema do console.

O aspecto mais impressionante da descoberta é que o ataque acontece no nível de silício, ou seja, diretamente no hardware.

Isso significa que a falha não pode ser corrigida com uma atualização de software, algo que normalmente seria a primeira resposta das fabricantes.

A falha do Xbox One que não pode ser corrigida

Uma das revelações mais importantes feitas durante a conferência é que essa vulnerabilidade está presente no próprio design do hardware.

Como o exploit atua durante o processo de boot e manipula sinais elétricos do sistema, não existe patch de firmware capaz de eliminar completamente o problema.

Em outras palavras, todos os consoles afetados permanecem vulneráveis para sempre.

Ainda assim, é importante destacar que a técnica exige equipamentos especializados. Não se trata de algo que possa ser replicado facilmente apenas com software.

Mesmo assim, pesquisadores acreditam que, com o tempo, desenvolvedores independentes poderão criar modchips ou ferramentas automatizadas que reproduzam o método de forma mais simples.

O que isso permite fazer no console

O acesso obtido através do Bliss pode abrir diversas possibilidades para quem estuda ou trabalha com engenharia reversa.

Entre os recursos que passam a ser possíveis estão:

  • execução de códigos não assinados
  • acesso ao processador de segurança
  • descriptografia de firmware e jogos
  • análise profunda do sistema operacional
  • desenvolvimento de ferramentas de modificação

Esse nível de acesso também permite estudar melhor a arquitetura do console, algo que pode levar ao desenvolvimento de emuladores mais precisos no futuro.

Para pesquisadores e preservacionistas de videogames, isso pode ser extremamente valioso.

Impacto na preservação de jogos

Embora muitas pessoas associem imediatamente esse tipo de descoberta à pirataria, ela também tem um impacto importante na preservação histórica dos videogames.

Com acesso completo ao hardware e aos sistemas internos, pesquisadores podem:

  • analisar jogos exclusivos
  • preservar versões antigas de software
  • documentar o funcionamento do console
  • garantir que títulos não desapareçam com o tempo

Isso se torna especialmente relevante porque o Xbox One já foi oficialmente descontinuado em 2020.

Com o passar dos anos, servidores são desligados, serviços deixam de funcionar e mídias físicas se tornam cada vez mais raras. A engenharia reversa ajuda a garantir que esses conteúdos não sejam perdidos.

A possível volta da pirataria no console

Naturalmente, a descoberta também abre caminho para cópias não autorizadas de jogos, algo que sempre preocupa fabricantes de consoles.

No entanto, nesse caso específico, o impacto pode ser relativamente limitado.

Isso acontece por alguns motivos:

  • o console já está fora de produção
  • o método exige hardware especializado
  • ainda não existem ferramentas prontas para uso público

Além disso, a Microsoft atualmente concentra seus esforços nos consoles Xbox Series X e Series S, além do crescimento do Game Pass e dos serviços digitais.

Por esse motivo, especialistas acreditam que a empresa provavelmente não verá a descoberta como uma ameaça significativa.

Quais consoles são afetados

Segundo as informações apresentadas na conferência, o método foi testado com sucesso principalmente no Xbox One original, lançado em 2013.

Outros modelos podem ter comportamentos diferentes.

Até agora, o cenário parece ser o seguinte:

  • Xbox One original (Fat) – totalmente vulnerável ao método
  • Xbox One S – possui camadas extras de segurança
  • Xbox One X – também apresenta proteções adicionais

Esses modelos mais recentes podem exigir novas pesquisas para confirmar se o ataque também funciona.

No caso dos consoles da geração atual, como Xbox Series X e Series S, ainda não há informações sobre possíveis vulnerabilidades semelhantes.

O que pode acontecer nos próximos anos

A apresentação de Gaaseleden revelou detalhes suficientes para que outros pesquisadores possam continuar investigando a técnica.

Isso significa que, nos próximos anos, é possível que surjam:

  • novos estudos sobre a arquitetura do console
  • ferramentas de engenharia reversa mais avançadas
  • possíveis modchips baseados no método
  • avanços na emulação do sistema

Embora o impacto imediato ainda seja pequeno, a descoberta marca um momento histórico para a comunidade de pesquisa em hardware.

Depois de mais de 12 anos de tentativas, o Xbox One finalmente teve suas proteções mais profundas compreendidas.

Para um console que sempre foi considerado praticamente impenetrável, esse avanço mostra que, na tecnologia, mesmo as barreiras mais robustas eventualmente podem ser superadas.


Confira mais novidades em nosso Portal de Notícias!


Fonte: tomshardware

Comentários

Carregando...

Carregando comentários...