A Sony apresentou sua estratégia para o ano fiscal de 2026 com um foco claro em três frentes: anime, inteligência artificial e parcerias para semicondutores. Em um plano que mira o último ano do ciclo de gestão de médio prazo, a empresa reforçou que quer ampliar valor de suas propriedades intelectuais (IP) com tecnologia e, ao mesmo tempo, manter a criação humana no centro do processo.
O recado foi dado pelo presidente e CEO, Hiroki Totoki, em 8 de maio, durante a apresentação de estratégia corporativa do ano fiscal de 2026 e também na apresentação de resultados do ano fiscal de 2025. O encontro funcionou como um termômetro do que a companhia pretende priorizar nos próximos meses, mostrando onde está ganhando tração e onde antecipa desafios.
Anime ganha ainda mais protagonismo na estratégia
Dentro da visão de longo prazo “Creative Entertainment Vision”, a Sony busca maximizar o valor de suas IPs ao usar tecnologia para criar novas experiências no mundo real e no digital. E, nesse direcionamento, o anime foi apontado como uma das áreas mais importantes para o crescimento.
Segundo a empresa, no ano anterior ela firmou uma parceria estratégica com a Bandai Namco Holdings para fortalecer a competitividade do grupo em anime e negócios relacionados. A colaboração envolve desde produção e distribuição global até iniciativas voltadas à comunidade de fãs no ecossistema mais amplo da Sony.
Para embasar a aposta, a Sony destacou o desempenho do anime Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba Infinity Castle Arc Chapter 1: Akaza Returns, produzido pela Aniplex e empresas parceiras. No lado da distribuição e do consumo, a companhia informou que o serviço de streaming Crunchyroll ultrapassou 21 milhões de assinantes pagos até o fim de março de 2026.
Para acelerar ainda mais a expansão do setor, a Sony anunciou que o Crunchyroll Anime Awards passará a contar com a MyAnimeList como plataforma oficial de votação de fãs pela primeira vez, em parceria com a Gaudiy. Além disso, a empresa planeja lançar, ainda neste outono, o primeiro “Crunchyroll Anime Future Forum”, um encontro pensado para reunir companhias relevantes do setor e fortalecer laços com fãs, editoras japonesas e criadores.
IA como tema central: produtividade e preservação da criação humana
Outro eixo central da estratégia apresentada foi a inteligência artificial. A Sony descreveu a IA como “o tema mais importante” atravessando os negócios do grupo.
Entre as iniciativas citadas, a empresa mencionou projetos em conjunto com a Bandai Namco usando IA generativa e outras tecnologias avançadas. De acordo com a Sony, já houve ganhos em velocidade de produção de vídeos e em produtividade dos funcionários.
Apesar do avanço tecnológico, o discurso foi cuidadoso ao reforçar limites. O CEO Hiroki Totoki afirmou que a IA não deve substituir artistas ou criadores, destacando que a criatividade humana deve permanecer no centro do processo. Na prática, a mensagem indica que a Sony pretende usar IA como ferramenta para ampliar capacidades — e não como substituto do talento criativo.
Dentro desse raciocínio, a empresa disse que pretende combinar tecnologias próprias com IA generativa para construir ambientes de produção que permitam aos criadores expandir sua expressão com mais liberdade. A expectativa é abrir novas oportunidades de crescimento em diferentes segmentos do setor de entretenimento.
Na área de games, Hideaki Nishino, presidente e CEO da Sony Interactive Entertainment, também participou do briefing para comentar avanços com IA no desenvolvimento de jogos. A Sony afirmou que a tecnologia já está sendo aplicada em etapas como desenvolvimento de software, modelagem 3D e garantia de qualidade, com o objetivo de permitir que as equipes foquem mais em entregar experiências mais ricas.
Parceria com a TSMC mira sensores de imagem de próxima geração
Além do entretenimento e da IA, a Sony apresentou um movimento relevante no campo de semicondutores. A empresa anunciou um memorando de entendimento com a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), uma das maiores foundries do mundo, para o desenvolvimento e a fabricação de sensores de imagem de próxima geração.
O acordo prevê a exploração da criação de uma joint venture na qual a Sony teria participação majoritária. A companhia também informou que pretende usar sua fábrica recém-concluída na cidade de Koshi, no município de Kumamoto, para futuras linhas de desenvolvimento e produção relacionadas à parceria.
Ao encerrar a apresentação, Totoki comentou o cenário global em transformação, citando dois fatores que vêm ganhando peso: a crescente demanda por infraestrutura de IA e os riscos geopolíticos. Nesse contexto, a Sony argumentou que a diversidade de seus negócios e de sua força de trabalho ajudará a companhia a manter capacidade de adaptação e sustentar o crescimento no longo prazo.
Jogos, música e cinema: resultados fortes, mas cautela para 2026
Nos resultados, a Sony apontou desempenho sólido em diferentes frentes. A divisão de Games e Network Services registrou renda operacional recorde. Entre os fatores citados estão efeitos de câmbio, crescimento da receita de serviços de rede e aumento nas vendas de softwares de terceiros.
Excluindo itens pontuais, como perdas por impairment relacionadas a ativos intangíveis ligados à Bungie, Inc., a empresa informou que o lucro operacional subiu 45% em comparação com o ano anterior.
No setor de Música, a Sony reportou aumento de 15% nas vendas e crescimento de 25% no lucro operacional, chegando a um nível recorde de lucratividade. A companhia atribuiu parte do avanço ao crescimento de receitas de streaming, eventos ao vivo e vendas de mercadorias, além do impacto positivo de filmes como Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba Infinity Castle Arc Chapter 1: Akaza Returns e Kokuho.
Um ponto que chamou atenção foi a força das receitas ligadas a streaming. A Sony destacou que a receita de produção musical cresceu 9% ano a ano, enquanto a receita de publicação musical subiu 14%. A empresa também mencionou que receitas de assinatura de serviços como Spotify e Apple Music seguem funcionando como uma base estável de crescimento.
Para o ano fiscal de 2026, porém, a Sony sinalizou expectativa de lucros menores. A justificativa envolve, em parte, o fato de o desempenho excepcional de Demon Slayer ter sido um fator extraordinário. Ainda assim, a companhia afirmou que, ao excluir efeitos temporários, o desempenho de lucros deve ficar largamente alinhado ao do ano fiscal anterior, sustentado pela continuidade do crescimento em streaming.
Na divisão de Pictures, a empresa registrou queda de lucros por conta de redução de receita de bilheteria e custos associados a impairment de ativos e reestruturação de negócios na Pixomondo, companhia envolvida em VFX e produção virtual.
Mesmo assim, a Sony apontou que o aumento de receita do Crunchyroll e a expansão das entregas de produção para televisão ajudaram a manter as vendas gerais quase estáveis.
Para 2026, a empresa também mencionou grandes lançamentos no cinema. Entre eles, Spider-Man: Brand New Day, com estreia simultânea no Japão e nos Estados Unidos marcada para 31 de julho, e Jumanji: Open World (título provisório), com lançamento nos EUA previsto para 25 de dezembro.
No conjunto, o briefing desenha uma estratégia que tenta equilibrar expansão cultural e eficiência operacional: anime e plataformas de streaming como motores de audiência, IA como alavanca de produtividade e semicondutores como aposta de longo prazo para sustentar tecnologias futuras.
Para o público, isso tende a significar mais lançamentos, mais integração entre plataformas e uma cadeia de produção cada vez mais acelerada — desde a criação até a distribuição.
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Fonte: oricon-group



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