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Sid Krofft criador de “Land of the Lost” morre aos 96 anos

Sid Krofft criador de “Land of the Lost” morre aos 96 anos
Sid Krofft criador de “Land of the Lost” morre aos 96 anos
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O criador e produtor de TV Sid Krofft, ícone da era dos seriados infantis e responsável por sucessos que marcaram gerações, morreu aos 96 anos. Conhecido principalmente por trabalhos ao lado do irmão Marty Krofft, ele assinou produções que se tornaram referência na cultura pop, como The Banana Splits Adventure Hour e Land of the Lost. Segundo o The Hollywood Reporter, Krofft morreu na sexta-feira, durante o sono, na casa em Los Angeles de uma amiga e parceira de negócios, Kelly Killian.

Nascido em 30 de julho de 1929, em Montreal, Sid Krofft cresceu em diferentes cidades dos Estados Unidos, incluindo Maine, Rhode Island e o Bronx. Em entrevistas, os irmãos costumavam dizer que vinham de uma longa linhagem de marionetistas, com raízes que remontariam a várias gerações. A versão mais “pé no chão”, porém, era outra: o pai deles era um vendedor de relógios que emigrou da Grécia no início do século XX. Além de Sid e Marty, a família tinha dois irmãos mais velhos. Hy morreu lutando na Segunda Guerra Mundial, e Harry faleceu no ano passado.

Do circo às marionetes: a base do império Krofft

Quando Sid tinha apenas 20 anos, ele foi contratado pelo Ringling Bros. and Barnum & Bailey Circus, um dos nomes mais tradicionais do entretenimento circense. Marty se juntou ao trabalho em tempo integral em 1959, depois que um assistente deixou a equipe. A partir daí, os irmãos ampliaram o repertório e passaram a desenvolver espetáculos próprios.

Um marco desse período foi Les Poupees de Paris, um show de marionetes voltado a adultos, com estética de burlesco. A atração virou sucesso e lotava sessões em um teatro com jantar no Vale de San Fernando. O formato chamou atenção não apenas pelo apelo visual, mas também pela escala: a produção foi levada à estrada e chegou a feiras mundiais, como as de Seattle (em 1962), Nova York (em 1964) e San Antonio (em 1968).

O espetáculo reunia 240 marionetes, em sua maioria mulheres com nudez parcial — um detalhe que ajuda a explicar por que a proposta era direcionada a um público adulto.

Com o tempo, o trabalho dos Krofft abriu portas para apresentações em parques temáticos e para aparições na televisão. Em 1968, os irmãos foram chamados para desenhar figurinos da parte em live-action de The Banana Splits Adventure Hour, exibido na NBC. No ano seguinte, o sucesso do projeto fez com que a emissora pedisse que eles criassem um programa infantil para o horário de sábado de manhã.

TERRA PERDIDA — Na foto: (da esquerda para a direita) Wesley Eure como Will Marshall, Kathy Coleman como Holly Marshall, Philip Paley como Cha-Ka, Spencer Milligan como o guarda florestal Rick Marshall — Foto: Ron Tom/NBCU Photo Bank
TERRA PERDIDA — Na foto: (da esquerda para a direita) Wesley Eure como Will Marshall, Kathy Coleman como Holly Marshall, Philip Paley como Cha-Ka, Spencer Milligan como o guarda florestal Rick Marshall — Foto: Ron Tom/NBCU Photo Bank

“H.R. Pufnstuf” e o início de uma era de fantasia

Foi nesse contexto que nasceu H.R. Pufnstuf, série centrada em um menino que sobrevive a um naufrágio e acaba chegando a uma ilha mágica. A produção, porém, teve vida curta: foi cancelada após uma temporada. A decisão, segundo relatos ligados ao histórico do projeto, ocorreu depois que Sid e Marty recusaram a proposta de uma segunda temporada por questões de custo.

Ainda assim, o impacto cultural do programa ajudou a consolidar o estilo Krofft: fantasia, cenários marcantes e personagens com forte apelo visual.

Depois de H.R. Pufnstuf, os irmãos seguiram com uma sequência de títulos que se tornaram sinônimo de TV infantil na década de 1970. Entre os trabalhos mais lembrados estão The Bugaloos (1970–72), Lidsville (1971–73) e Sigmund and the Sea Monsters (1973–75). Mas foi Land of the Lost que talvez tenha alcançado o maior reconhecimento, com exibição original entre 1974 e 1976.

“Land of the Lost” além da TV: filme, reboot e legado

Land of the Lost ganhou novas camadas de popularidade muito tempo depois do fim da série. Em 2009, o título foi adaptado para o cinema, com Will Ferrell no elenco. Ainda que a produção tenha chamado atenção, ela não repetiu o mesmo nível de popularidade do programa original.

Mais recentemente, a ideia de um reboot também voltou à pauta, com a Netflix trabalhando em uma nova versão da história.

O legado dos Krofft não ficou restrito ao universo de fantasia infantil. Eles também desenvolveram programas de variedades em live-action, incluindo The Brady Bunch Hour, The Donny & Marie Show, The Bay City Rollers Show e Barbara Mandrell and the Mandrell Sisters. Essa diversidade ajudou a mostrar que, apesar da imagem associada a marionetes e mundos imaginários, os irmãos tinham capacidade de transitar por diferentes formatos de entretenimento.

Parque temático e ambição: o sonho vertical em Atlanta

Além dos créditos na televisão, Sid e Marty também investiram em um projeto físico de grande escala: o parque temático The World of Sid & Marty Krofft, inaugurado no centro de Atlanta. A proposta era ambiciosa e anunciava ser o primeiro parque de diversões vertical do mundo, com estrutura dividida em mais de seis níveis.

Durante a década de 1970, o parque recebeu cerca de 600 mil visitantes. Ainda assim, a operação não conseguiu sustentar os custos e os pagamentos de juros, e o empreendimento acabou encerrando as atividades após apenas seis meses. O episódio, embora tenha terminado cedo, reforça o tamanho da visão dos Krofft: eles queriam levar para o mundo real a mesma imaginação que construíam na tela.

Falecimento de Sid Krofft e lembranças de quem conviveu com ele

Sid Krofft deixa três sobrinhas: Deanna, Kristina e Kendra. Marty Krofft, por sua vez, morreu em novembro de 2023, aos 86 anos. A morte de Sid reacendeu homenagens de figuras do entretenimento que acompanharam a trajetória da dupla.

Entre as manifestações, o ator e apresentador Mike Wolfe, conhecido por American Pickers, publicou uma mensagem em seu perfil no Instagram. No texto, Wolfe afirmou que seu coração estava “quebrado” e destacou a importância de Sid Krofft para a imaginação dele e de outras pessoas. Ele também mencionou uma peça comprada do criador e disse que guardaria a lembrança “para sempre”.

Com a partida de Sid Krofft, o mundo do entretenimento perde um dos nomes que ajudaram a definir uma estética particular da TV americana: a mistura de fantasia, humor, cenários improváveis e personagens inesquecíveis. Para quem cresceu assistindo aos seriados da dupla, a morte aos 96 anos marca o fim de uma era — mas também renova a presença desses títulos que continuam sendo revisitados, adaptados e lembrados.


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Fonte: PopCulture (com referência ao The Hollywood Reporter).

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