“Widow’s Bay”, da Apple TV+, virou uma espécie de referência quando o assunto é comédia de terror: personagens excêntricos em uma cidade (ou ilha) estranhamente acolhedora, humor com cara de sitcom e, ao mesmo tempo, criaturas e situações que puxam para o lado mais sombrio do gênero. Se você terminou a série (ou está acompanhando e quer algo com a mesma “vibe”), estas seis produções funcionam como um caminho natural — cada uma com seu tempero, mas todas entregando aquela mistura de risadas e sustos.
Antes de entrar na lista, vale destacar o que faz “Widow’s Bay” funcionar tão bem: o roteiro não trata o terror com solenidade excessiva, mas também não transforma tudo em piada o tempo todo. O resultado é um clima particular, em que o absurdo convive com o medo de verdade. É exatamente esse equilíbrio que você vai encontrar, em maior ou menor grau, nas séries abaixo.
6) Shining Vale

A série de duas temporadas da STARZ acompanha Pat, uma escritora de erotismo que muda com a família para uma casa em Connecticut — só que o endereço já foi palco de atrocidades. A partir daí, acontecimentos estranhos começam a se acumular, mas há um detalhe que torna tudo ainda mais desconfortável e engraçado: ninguém na família consegue ver os demônios que atormentam o lar.
“Widow’s Bay” e “Shining Vale” se conectam pelo mesmo tipo de dinâmica: um grupo de pessoas tentando levar a vida em um cenário assombrado, enquanto o protagonista (ou a protagonista) percebe o que está acontecendo antes dos demais. Só que “Shining Vale” inverte a lógica. Na série da Apple TV+, quase todo mundo na cidade desconfia do sobrenatural, enquanto o prefeito Tom Loftis é quem, no começo, não acredita. Já em “Shining Vale”, Pat é a única que parece entender que há algo paranormal em curso.
Além disso, as duas histórias colocam o personagem principal de repente dentro de um ambiente sobrenatural. Em “Widow’s Bay”, o segundo episódio mostra Loftis hospedado no Breakwater Inn, sem esperar que a cidade seja, de fato, uma armadilha mortal. Em “Shining Vale”, Pat já começa sem qualquer preparação para o que vai enfrentar. O choque entre “vida cotidiana” e “horror inevitável” é o motor do humor nas duas séries.
05. What We Do in the Shadows

Se “Widow’s Bay” tem um humor que nasce do contraste entre o cotidiano e o sobrenatural, “What We Do in the Shadows” leva essa ideia para outro patamar. A série acompanha quatro vampiros centenários que dividem apartamento em Staten Island e precisam lidar com a vida moderna e com a estranheza de viver em uma grande cidade.
O grupo é acompanhado por Guillermo, um familiar que sonha em se tornar vampiro — mesmo sendo descendente de Van Helsing. A premissa, à primeira vista, parece distante de “Widow’s Bay”, mas o que aproxima as duas é o tipo de comédia: a sensação de “peixe fora d’água”. Tom Loftis não é natural daquela cidade pequena e só a conheceu durante as férias de infância. Já os vampiros vêm de épocas completamente diferentes, e o choque cultural vira combustível para piadas.
Outro ponto em comum é o quanto as séries parecem beber em tradições de comédia conhecidas. “Widow’s Bay” lembra uma versão sombria de Parks and Recreation, enquanto “What We Do in the Shadows” tem um DNA de comédia de grupo, com referências a formatos populares. O resultado é uma comédia que usa tropes do gênero para construir situações absurdas — e, quando o terror aparece, ele serve mais para intensificar o ridículo do que para interromper o ritmo.
04. Stan Against Evil

Com John C. McGinley no papel principal, “Stan Against Evil” aposta em um humor afiado e em um cenário de interior que lembra o tipo de atmosfera que muitos fãs de “Widow’s Bay” procuram. A série acompanha Stanley Miller, um xerife mais velho, que precisa se unir a Evie Barret, uma xerife mais jovem, para enfrentar uma horda de espíritos e entidades ligadas a bruxas.
A história se passa em uma cidade pequena de New Hampshire, onde a vingança sobrenatural volta séculos depois de as bruxas terem sido queimadas. O terror aqui tem raízes folclóricas no clima, mesmo que as criaturas não sejam exatamente “lendas” no sentido clássico. Ainda assim, a forma como as entidades aparecem e se impõem fisicamente cria uma sensação de horror de tradição, com aquele tempero de “algo antigo demais para ser ignorado”.
Há também uma semelhança importante no elenco e na atuação: tanto Matthew Rhys em “Widow’s Bay” quanto McGinley em “Stan Against Evil” parecem dominar a arte das expressões faciais que viram piada. A diferença é o modo como cada protagonista reage ao sobrenatural. Loftis, em geral, fica em posição de desvantagem diante das entidades. Stan, por outro lado, enfrenta os espíritos com comentários rápidos e provocativos, como se tentasse transformar o medo em sarcasmo.
03. Ash vs. Evil Dead

“Ash vs. Evil Dead” é, sem exagero, uma das franquias mais queridas quando o assunto é terror cômico. A série continua a história de Evil Dead e traz Ash Williams de volta após 30 anos, enfrentando novamente os Deadites — criaturas que querem destruir a humanidade. Só que agora Ash carrega uma atitude que resume bem o espírito da produção: ele está velho demais para aquilo.
Por que essa série aparece na lista? Porque, apesar de ser “Evil Dead”, ela não trata o terror com seriedade absoluta. Tanto “Ash vs. Evil Dead” quanto “Widow’s Bay” abraçam o exagero, o clima de acampamento e a estética que faz o horror parecer cinematográfico, mas sem perder a leveza do absurdo.
As duas também compartilham uma energia caótica: a sensação de que qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento. E, claro, há personagens com personalidade forte, que tornam o caos mais divertido. A comédia nasce, em grande parte, de um protagonista comum que cai em situações cada vez mais ridículas. Mesmo que o ritmo e a construção do enredo sejam diferentes, o “gostinho” de assistir a um horror que não se leva tão a sério é o mesmo.
02. Archie’s Weird Mysteries

“Archie’s Weird Mysteries” foi exibida entre 1999 e 2000 e fez uma aposta curiosa: colocar um toque de horror sobrenatural dentro do universo dos quadrinhos da Archie. A série começa quando um laboratório de física sofre um acidente grave, e Riverdale vira um ímã para monstros e entidades sobrenaturais.
O cenário também ganha um elemento recorrente: uma loja de curiosidades com artefatos mágicos. A partir daí, Archie, Jughead, Betty, Veronica e os demais adolescentes de Riverdale High passam a lidar com problemas que surgem quase como consequência direta do lugar em que vivem.
Em termos de sensação, “Archie’s Weird Mysteries” funciona como um meio-termo entre Scooby-Doo e “Widow’s Bay”. Assim como o prefeito Loftis enfrenta episódios em que uma entidade diferente aparece a cada caso, os personagens lidam com um novo tipo de ameaça sobrenatural em cada episódio. O clima de cidade pequena e a sensação de que Riverdale é um “mundo fechado” também aproximam as duas séries.
O humor e a estranheza vêm do mesmo lugar: personagens excêntricos e situações que misturam mistério com comédia. E há um detalhe que pode agradar bastante quem quer algo com a mesma atmosfera, mas com um tom mais acessível: os monstros são um problema porque estão “no território”, não porque os protagonistas escolheram viver em um pesadelo. No fim, é uma boa opção para quem quer uma experiência parecida com “Widow’s Bay”, mas com possibilidade de assistir em família.
01. Ghosts

Fechando a lista, “Ghosts” é uma comédia de terror britânica centrada em Alison, que herda uma mansão assombrada. Ela e o marido se mudam sem saber que a casa está repleta de fantasmas de diferentes gerações — pessoas que morreram ali e continuam presas ao local.
O que torna a série especial para fãs de “Widow’s Bay” é o foco na convivência. Em vez de tentar expulsar os fantasmas, Alison decide encontrar uma forma de viver com eles. Isso cria uma dinâmica de sitcom: o sobrenatural está presente, mas a rotina e as relações humanas continuam sendo o centro do humor.
“Ghosts” também compartilha com “Widow’s Bay” a ideia de que o terror está amarrado a um lugar específico. Na série da Apple TV+, o sobrenatural se concentra na ilha. Em “Ghosts”, a mansão funciona como um “portal” permanente para o passado. E, em ambos os casos, parece não haver uma saída simples: os personagens acabam aceitando a realidade e tentando seguir em frente.
Outro ponto é a tensão entre personalidades. Assim como em “Widow’s Bay”, há atritos, estranhamentos e comportamentos que rendem piadas mesmo quando o cenário é assustador. Por isso, mesmo que “Ghosts” não tenha exatamente o mesmo elemento de folk horror, ainda assim entrega uma experiência muito próxima para quem quer rir com o terror.
Se você está procurando uma sequência para “Widow’s Bay”, qualquer uma dessas seis séries pode funcionar como ponte — seja para manter o clima de cidade assombrada, seja para explorar outras variações do terror cômico. O importante é que todas compartilham a mesma promessa: sustos com humor, personagens que não sabem lidar com o impossível e um mundo onde o sobrenatural não cancela a comédia.



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