A segunda temporada de Matlock chegou ao fim com um encerramento que amarra o escândalo da Wellbrexa e, ao mesmo tempo, abre espaço para o que vem pela frente. No episódio final em duas partes — “Who Are You?” e “Matty Matlock” — a série não apenas conclui o arco central envolvendo Jacobson Moore, como também reposiciona seus personagens em novos rumos emocionais e narrativos. A criadora e showrunner Jennie Snyder Urman, em entrevista ao The Hollywood Reporter, detalhou por que escolheu esse desfecho para a temporada e quais pistas já foram plantadas para a terceira, que deve retornar no meio de 2027.O ponto de virada do final passa por Matty (Kathy Bates) e Olympia (Skye P. Marshall). Depois de transformar sua vida — de advogada rica e casada para uma mulher arruinada, forçada a continuar trabalhando para cuidar do neto Alfie — Matty parecia prestes a abandonar tudo. Só que a decisão não nasce de derrota ou rancor. Ela chega a um tipo de perdão, principalmente em relação à morte da filha Ellie, que foi marcada por overdose e pelo impacto duradouro do luto. E, mais importante: Matty entende que não quer perder a conexão com Olympia. É nesse terreno emocional que a série encontra fôlego para seguir adiante.
O escândalo da Wellbrexa termina, mas a história continua em Matlock
Urman explica que a equipe de roteiristas queria “fechar” a Wellbrexa e, ao mesmo tempo, oferecer respostas reais e consequências concretas para os personagens. A ideia era evitar que a série ficasse repetindo fórmulas. Em vez disso, a trama deveria continuar avançando, explorando novas camadas das relações e das complicações que surgem a partir das escolhas de Matty.
O encerramento, porém, não acontece de forma simples. A segunda metade da temporada acelera revelações e coloca personagens em situações de risco. Um dos elementos mais marcantes é a forma como a série lida com a identidade de Matty. No fim da primeira temporada, Olympia descobre quem Matty realmente é. Em uma estrutura que foge do padrão de “segurar” grandes revelações por mais temporadas, a série permite que, depois de reconstruírem a amizade, Matty e Olympia revelem a Julian (Jason Ritter) quem ela é.
Julian, filho do vilão Senior (Beau Bridges), estava acompanhando o pai no hospital após um AVC. A decisão de aproximá-lo do segredo torna o gesto ainda mais arriscado — e, ainda assim, ele acaba entrando no jogo.
Julian passa a agir com base em informações que comprometem o pai. Ele remove o estudo que expõe o que a Wellbrexa fez de errado, mas acaba descobrindo que Senior também manipula a própria condição. A série revela que o pai finge demência precoce, e a proximidade entre pai e filho — que Julian tanto desejava — é parte do controle.
Mesmo assim, no clímax, Julian escolhe um caminho que o coloca em rota de colisão com o próprio passado: ele decide colaborar com o DOJ, com destaque para Lida Guitierrez, interpretada por Gina Rodriguez.
O final sugere que Matty e Olympia conseguem “capturar” Senior e outros envolvidos, incluindo Eva (Justina Machado), ex-esposa de Senior e parceira no escritório. A revelação é que, apesar de parecer que o casal saiu por conta própria, sem derrubar o restante do sistema, a série deixa claro que a rede foi atingida — e que Julian também entra no cálculo de consequências.
Por que esse foi o desfecho certo para a 2ª temporada de Matlock
Segundo Urman, o plano era encerrar a Wellbrexa mais cedo do que a temporada inteira. O final da primeira temporada funcionou como ponto de meio do arco. A parte mais difícil, ela conta, era entender por que Matty continuaria “sendo Matty Matlock” de forma orgânica.
Afinal, a série leva o nome da personagem, mas o caminho até ali envolve perdas, mudanças e um tipo de transformação que não poderia ser revertida apenas com mais um caso da semana.
O que a equipe encontrou foi uma resposta que não estava no horizonte inicial. A trajetória de Matty, moldada pela atuação de Kathy Bates e pelas escolhas que ela faz ao longo do arco, mostra que ela ganhou algo que não esperava ganhar ao aceitar a missão.
O desfecho, portanto, não é só sobre derrotar vilões: é sobre o que Matty passa a valorizar depois de tudo o que perdeu.
Urman também reforça que o foco da série sempre foi uma história de amor entre Matty e Olympia. Ela diz que sabia que chegaria a compreensão de que “a filha dela a levou até aqui” — mas não imaginava que isso aconteceria já no fim da segunda temporada.
Para ela, a revelação permite que a série siga para a terceira com um novo tipo de endgame: Matty não está apenas processando Ellie; ela está pronta para reconhecer que pode abrir mão da missão se isso significar não destruir a vida de Olympia e Julian.
Esse é um ponto central do final. A série faz Matty admitir que poderia “baixar a espada” para não arruinar o relacionamento com as pessoas que ela escolheu. É um arco que, segundo Urman, foi construído ao longo de dois anos de narrativa.
O que muda com a saída de Billy e a chegada do “AI Ellie”
Entre as decisões de bastidores e as consequências dentro da história, a série também precisou lidar com a saída de um personagem central. Urman comenta como foi possível transicionar Billy, vivido por David Del Rio, sem quebrar o ritmo emocional dos demais.
A abordagem foi tratar a ausência como parte do crescimento: quando Billy não está mais ali, Sarah e Matty precisam processar o que isso significa e, a partir daí, se aproximar ainda mais.
Outro elemento que chama atenção no final é o arco envolvendo “AI Ellie”, uma história que, de acordo com Urman, foi escolhida por motivos ligados ao momento cultural e ao tema da série. Ela lembra que a inteligência artificial está muito presente no debate público e que existe uma indústria de “vida após a morte” digital.
Como Matlock trata de luto e dependência, a equipe viu ali uma forma de atingir Matty de maneira específica: ela poderia se tornar viciada na ideia de conversar com a filha novamente.
Só que a série deixa claro que aquilo não é Ellie — e as complicações disso na vida real são o que torna o arco relevante.
Urman também descreve o arco como uma ponte emocional. Fechar o computador e voltar para a vida real, no fim, funciona como um “último degrau” antes da grande revelação do episódio final.
Em outras palavras: a história usa a IA como etapa para Matty metabolizar o luto e chegar ao ponto em que consegue encerrar a fantasia sem destruir a própria relação com Olympia.
Julian escolhe a coragem — e isso terá consequências em Matlock
O final também dá destaque ao arco de Julian. Urman descreve o personagem como alguém que sempre acreditou ser uma boa pessoa, mas que, quando as coisas ficam difíceis, tende a escolher o caminho mais fácil.
A virada acontece quando ele é colocado diante de uma decisão moral: enviar o próprio pai, Senior, para a prisão.
O ponto dramático é que Julian acredita que o pai tem demência por boa parte da temporada. Quando descobre que era tudo manipulação, ele entende que a proximidade que desejava foi construída sobre controle.
Ainda assim, no clímax, Julian decide agir de forma “definitivamente” diferente do que Senior faria — uma escolha que Urman chama de ato de coragem e, sobretudo, de sacrifício.
Ela afirma que Julian carrega a consciência do impacto emocional de suas ações. Ele guardou o que fez em uma espécie de “caixa de sapatos”, sem pensar em quem sofreu por dentro.
No final, ele tem um momento de heroísmo, mas Urman deixa claro que isso não vem sem preço: a terceira temporada deve trazer consequências para a escolha.
Reencontro com elenco de Jane the Virgin e pistas para a 3ª temporada
Um dos aspectos mais comentados do final é a presença de atores ligados a Jane the Virgin. Urman diz que sempre gostou do elenco e que, no fim da segunda temporada, decidiu chamar pessoas que ela queria ver na série.
Yara Martinez entra como Vicki no episódio “The Future Is Nigh”. Bridget Regan aparece como uma personagem que, segundo Urman, foi pensada para enfrentar Olympia em um duelo direto. Justina Machado retorna como Eva e ganha destaque em cenas tensas com Skye P. Marshall.
Além disso, a showrunner conta como foi o convite para Gina Rodriguez, que interpreta Lida Guitierrez no arco com o DOJ. Urman descreve a rapidez da resposta e afirma que conseguiu escrever a personagem com base no que sabe sobre o trabalho de Gina.
Ela também menciona que há outros nomes de Jane no set, e que foi especial para ela ter Kathy Bates e Gina Rodriguez juntas em um registro.
Quanto ao futuro, Urman indica que a terceira temporada terá um novo mistério “contido”, relacionado ao passado, mas sem ser uma continuação direta do mesmo enigma. A ideia é manter o formato procedural como elemento constante, mas empurrar os personagens para novos desafios.
Mesmo com a saída de Jacobson Moore do centro da trama, a série não abandona completamente o que ele representou: Urman afirma que haverá “uma parte” dele na história, mas com mudanças significativas.
Ela também sinaliza que a temporada deve ser mais focada em personagens femininas, sem deixar de lado o peso do arco de Julian. E, ao falar sobre o retorno de Langston (Edwin Hodge), Urman sugere que o personagem e Olympia estarão envolvidos em uma situação específica quando a série voltar.
Matlock (temporadas 1 e 2) está disponível no Paramount+.
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Fonte: hollywoodreporter



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