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Kevin McKidd explica a despedida de Owen em Grey’s Anatomy: por que o final foi positivo

Kevin McKidd explica a despedida de Owen em Grey’s Anatomy: por que o final foi positivo
Kevin McKidd explica a despedida de Owen em Grey’s Anatomy: por que o final foi positivo
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“Grey’s Anatomy” se despediu de um de seus personagens mais marcantes — e, para muitos fãs, também mais controversos — no episódio final da Temporada 22. O responsável por dar vida ao Dr. Owen Hunt, Kevin McKidd, não apenas atuou no desfecho como também dirigiu o capítulo que marcou a saída do personagem. Em entrevista ao TheWrap, o ator explicou como foi conduzir o próprio adeus, por que o roteiro escolheu um caminho menos trágico e como ele enxerga o legado de Owen dentro do universo do drama médico.

O episódio 18, intitulado “Bridge Over Troubled Water”, começa com Owen acordando dentro de um SUV quase submerso. Ele caiu na água após o colapso de uma ponte em meio a uma sequência de resgate de alto impacto. Mesmo ferido e em risco, Owen consegue sair do perigo e, em seguida, ajuda a salvar uma família que ficou presa no carro durante a tragédia. Para McKidd, esse tipo de cena funciona como uma espécie de assinatura do personagem: o trauma cirúrgico e o instinto de sobrevivência sempre caminharam juntos em Owen.

Mas o capítulo não termina apenas com resgates. A experiência de quase morte — uma entre várias que Owen atravessou ao longo das 18 temporadas em que esteve no programa — leva o personagem a tomar uma decisão definitiva. Ele conclui que é hora de escolher o amor da vida e, assim, decide reorganizar a própria vida para seguir com Dr. Teddy Altman (interpretada por Kim Raver) para uma nova oportunidade de trabalho em Paris. O desfecho é descrito como um “final feliz” no sentido emocional: não é uma despedida marcada por morte, e sim por recomeço.

Por que o final de Owen foi positivo em Grey’s Anatomy (segundo Kevin McKidd)

McKidd revelou que, por muito tempo, imaginou que Owen teria uma saída “heroica”. Em sua visão, o personagem poderia morrer salvando pessoas, como um encerramento que faria sentido para o tipo de drama que o show costuma construir. Só que, segundo o ator, o contexto do momento e as escolhas do time de roteiristas pesaram para que a história tomasse outro rumo.

“Por um longo tempo, eu pensei que ele deveria morrer em alguma morte heroica, salvando pessoas. Eu pensei que isso seria um final adequado”, disse McKidd ao TheWrap. Ele acrescentou que, atualmente, o clima geral parece mais sombrio e assustador, e que o roteiro optou por uma mensagem mais esperançosa. A ideia de Owen e Teddy irem juntos para o “próximo capítulo” e reafirmarem o compromisso do relacionamento, segundo o ator, conversou mais com os escritores do que uma tragédia.

Outro ponto importante é que esse tipo de final também mantém uma porta aberta. Ainda que o episódio funcione como despedida, o caminho escolhido permite que o personagem possa retornar no futuro, caso a série decida explorar essa possibilidade. Para McKidd, isso torna a saída menos definitiva no sentimento do público e, de certa forma, também no dele.

Dirigir o próprio adeus: emoção, catarse e um set que virou “família”

O ator contou que já sabia que dirigiria o episódio antes mesmo de a decisão final sobre sua saída ser confirmada. A produção, segundo ele, começou a se organizar meses antes, quando Debbie Allen estava envolvida com compromissos no teatro e pediu que McKidd assumisse a direção. Quando a confirmação de que seria a última temporada dele chegou, o ator se questionou se conseguiria lidar com o peso de dirigir um capítulo tão pessoal.

“Eu não era diretor antes de começar em ‘Grey’s’. Eu aprendi a dirigir nesse show”, afirmou. Para McKidd, isso tornou a experiência “certa”, ainda que carregada de emoção. Ele descreveu o processo como doce, mas também catártico, e disse que, durante a maior parte do tempo, o foco prático de diretor — manter o ritmo, cumprir prazos, preparar cenas — ajudou a evitar que ele fosse dominado pelos sentimentos.

Nos últimos dias, porém, a emoção tomou conta. Ele falou sobre a dificuldade de dizer adeus porque o elenco e a equipe funcionam como uma família. Foram quase 20 anos no programa, e isso torna a despedida diferente de qualquer outro trabalho. Ao mesmo tempo, McKidd deixou claro que não vê o fim como um “rompimento total”: ele pretende voltar em outra forma, ainda que não tenha detalhado exatamente como.

O episódio também exigiu esforço físico e logístico. A sequência do colapso da ponte, construída para ser filmada com realismo, foi um desafio tanto para a produção quanto para McKidd como ator. Ele afirmou que está orgulhoso do resultado e descreveu o capítulo como algo próximo de uma “tese final” do que ele aprendeu e construiu dentro de Grey’s Anatomy.

Referências e “momentos de círculo completo” entre Owen e Teddy

Um dos aspectos que mais chamam atenção no episódio é a forma como o roteiro costura a história de Owen e Teddy com lembranças de temporadas anteriores. McKidd destacou callbacks que conectam o passado ao presente, criando a sensação de que a jornada chega a um ponto de fechamento.

Entre os detalhes citados pelo ator está a presença de uma caneta esferográfica que aparece em momentos anteriores. Na série, Owen já havia tratado alguém no campo usando uma caneta como improviso. No episódio final, Teddy encontra a caneta e, com isso, percebe que Owen está vivo. Para McKidd, esse tipo de referência escrita por Meg Marinis ajuda a completar o “círculo” da narrativa.

Ele também mencionou pequenas escolhas de encenação e produção, como o modo como Owen e Teddy observam o hospital antes de seguirem. Teddy encosta no peito de Owen, gesto que remete a uma cena de uma temporada anterior, quando ela estava em um momento específico de sua vida e relação com o personagem. McKidd descreveu essas sutilezas como algo natural, porque a equipe conhece profundamente os personagens e sabe como evoluir essas conexões sem forçar.

As últimas cenas e o desafio de filmar o colapso

Quando perguntado sobre qual foi a última cena gravada, McKidd explicou que o colapso da ponte foi um grande bloco de construção e planejamento. Por isso, as filmagens dessa sequência precisaram ficar para os últimos dois dias do cronograma. As gravações aconteceram em Valencia, Califórnia, em uma área remota, onde a ponte colapsada foi construída ao longo de semanas.

Segundo ele, esses dias foram especialmente emocionais. McKidd contou que sua família — incluindo os filhos — visitou o set, e que também estiveram presentes o parceiro dele e parte do elenco. Ele descreveu como um período ao mesmo tempo “tenso” e “bonito”, difícil de concluir em tão pouco tempo, mas com sensação de catarse.

Já a última cena com Kim Raver foi no consultório/“scrub room”, o espaço onde cirurgiões se preparam e, muitas vezes, têm conversas intensas. McKidd disse que a equipe demorou para decidir onde colocar a conversa final e que ele defendeu que fosse ali, porque Owen e Teddy sempre acabam tendo momentos emocionais nesse tipo de ambiente — frequentemente após cirurgias, quando a verdade aparece sem filtros.

Ele também relatou um detalhe humano do set: em meio às lágrimas de Kim, ele precisou lembrar que, apesar de estarem tristes, Teddy e Owen estão felizes com a decisão que tomaram. Esse cuidado, segundo ele, ajudou a manter a cena no tom certo.

Owen, fãs apaixonados e o que McKidd quer fazer depois de Grey’s Anatomy

McKidd afirmou que a despedida o fez pensar em como é deixar uma “família” de trabalho. Ele comparou o processo ao luto vivido por atores quando um programa termina, citando a experiência de Mad Men mencionada por Jon Hamm. No caso de Grey’s, a série continua, e isso, de certa forma, torna a perda menos absoluta. Ainda assim, ele reconheceu o sentimento agridoce: a certeza de que a rotina muda, mesmo que as pessoas sigam se encontrando em outros contextos.

O ator também comentou como enxerga a relação com os fãs, que discutem Owen com intensidade. Há quem critique o personagem por decisões difíceis e quem o defenda com argumentos emocionais e narrativos. Para McKidd, esse debate é sinal de que a escrita funciona e que Owen tem “duas faces”, algo que ele atribui ao conceito original do personagem e ao trabalho dos roteiristas ao longo dos anos.

Além de atuar e dirigir, McKidd reforçou que sua trajetória no programa também abriu caminho para que atores assumissem a direção. Ele citou que sempre quis fazer isso, mas não imaginava que teria a chance. A partir do apoio de pessoas como Shonda Rhimes e outros nomes da produção, ele passou a integrar esse “pipeline” de direção e descreveu o papel como uma forma de ajudar outros atores a elevarem o próprio desempenho.

Depois de Grey’s Anatomy, McKidd já tem novos projetos. Ele anunciou um papel de liderança na série do canal ITV, “The Only Suspect”, e também uma parceria da sua produtora Ferryman Films com a STV Films para desenvolver novos trabalhos. O ator disse que a empresa assinou um acordo com um portfólio de cerca de 15 projetos, muitos ainda em pré-produção, com foco internacional e produção baseada na Escócia.

Ele também mencionou que pretende retomar atividades no teatro, incluindo a possibilidade de voltar a atuar em produções do tipo Broadway e West End, além de estar envolvido com filmagens recentes. McKidd relatou que terminou “Highlander” com Henry Cavill, um filme de ação, e que retornou recentemente da Escócia.

Enquanto isso, a série segue disponível para o público: as temporadas 1 a 22 de “Grey’s Anatomy” estão em streaming no Hulu.


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