A Hello Sunshine, produtora ligada a Reese Witherspoon, está em ritmo acelerado para os próximos meses. Em entrevista à Deadline, Lauren Neustadter, presidente de Film & TV da companhia, falou sobre o que vem por aí nas telinhas — com destaque para Elle (Prime Video) e Lucky (Apple TV) — e também fez um balanço do andamento de filmes baseados em livros do clube de leitura da própria Witherspoon. A conversa acontece em meio ao encerramento da segunda temporada de The Last Thing He Told Me, drama da Apple TV que vem ganhando força com a expansão do universo criado a partir do romance de Laura Dave.
O fio condutor da entrevista é a estratégia da Hello Sunshine de transformar histórias literárias em produtos audiovisuais com continuidade e “gancho” para o futuro. No caso de The Last Thing He Told Me, a empresa acompanhou a publicação do livro que funciona como sequência do romance original e, ao mesmo tempo, conduziu a narrativa televisiva para um final de temporada que pode abrir espaço para novos capítulos. Já em Elle e Lucky, a aposta é em personagens com apelo de público e potencial de expansão, com autores e criadores envolvidos desde o início.
O que Lauren Neustadter disse sobre The Last Thing He Told Me e a chance de uma terceira temporada
Com a segunda temporada chegando ao fim, Neustadter comentou o processo de criação do programa e a conexão com o trabalho de Laura Dave. A Apple TV renovou a série para a 2ª temporada pouco menos de um ano após a estreia da primeira. Paralelamente, Laura Dave se comprometeu a escrever um segundo romance, The First Time I Saw Him, que revisita o mundo do livro original e serve como ponte para o que o público veria na televisão.
Segundo a executiva, o processo foi incomum e gratificante para a equipe. Ela destacou que Laura Dave escrevia seu romance enquanto os roteiristas desenvolviam a série, e que a produção teve a vantagem de contar com Josh Singer, marido da autora e roteirista vencedor do Oscar. Neustadter afirmou que a equipe manteve contato constante com Dave para alinhar intenções e visão, mas também confiou no trabalho dos escritores para enriquecer a história e torná-la “cinematográfica”.
O ritmo da segunda temporada, com reviravoltas e mudanças de direção, foi descrito como uma espécie de “acelerador” narrativo. E, por conta do modo como o final da temporada 2 foi construído, existe a possibilidade de a série ganhar fôlego para uma terceira temporada. Neustadter disse que está aberta à ideia, mencionando o interesse demonstrado por Jennifer Garner e Judy Greer sobre o que poderia acontecer com suas personagens, que agora estão em conflito. Ainda assim, ela não confirmou se a autora entraria novamente no quebra-cabeça com um novo livro.
Elle: segunda temporada em produção no Prime Video
Se The Last Thing He Told Me mostra como a Hello Sunshine trabalha com continuidade literária, Elle evidencia a outra ponta da estratégia: renovar cedo e colocar a produção em movimento antes mesmo de o público ter visto tudo o que a primeira leva entregará. A série, que funciona como prequel de Legally Blonde, estreou em 1º de julho no Prime Video e já recebeu renovação para a segunda temporada.
Neustadter confirmou que a produção da 2ª temporada já está em andamento. “Estamos filmando. As câmeras já estão rodando em Vancouver”, disse. Ela também explicou por que a renovação antecipada foi possível: a Amazon demonstrou apoio ao projeto e a própria ideia do retorno de Elle Woods para a fase do ensino médio foi concebida com base em uma leitura do momento cultural. A executiva afirmou que Reese Witherspoon teve a visão de trazer Elle de volta para uma geração mais jovem, observando como as mensagens e discussões nas redes sociais têm impactado mulheres e como o público busca referências.
O caminho criativo do programa também foi descrito com detalhes. A série encontrou sua criadora, Laura Kittrell, e ganhou co-showrunner em Caroline Dries. Neustadter contou que a empresa já tentava desenvolver algo com Kittrell desde 2017, mas que o projeto anterior não saiu do papel. Quando a ideia atual foi retomada, a autora escreveu o piloto rapidamente e a Amazon decidiu avançar para a produção. A 1ª temporada acompanha o primeiro semestre do ano júnior de Elle; a 2ª temporada, por sua vez, segue o segundo semestre, incluindo um fator importante: a equipe queria acertar o elemento climático e a forma como ele influencia a narrativa.
Outro ponto que chamou atenção foi a dimensão geracional do projeto. Neustadter falou sobre como a história pode funcionar como evento compartilhado entre pais e filhos, especialmente para quem viu Legally Blonde quase 25 anos atrás e agora tem filhas — e, em alguns casos, também filhos. Para ela, a série tem humor, autenticidade e significado, e a mensagem central continua sendo a necessidade de “Elle Woods” como modelo.
Lucky e a expansão do universo: série limitada na Apple TV e Not So Lucky em desenvolvimento
Enquanto Elle avança no Prime Video, Lucky chega à Apple TV em 10 de julho. A série é baseada no livro de Marissa Stapley e foi concebida como uma produção de formato limitado, mas a conversa com Neustadter deixou claro que a história pode ganhar novos desdobramentos fora da tela.
Na entrevista, ela explicou que, dentro da Hello Sunshine, a equipe sempre volta ao autor quando se apaixona por um personagem e se pergunta se existe mais história. No caso de Lucky, a executiva relatou uma conexão pessoal com o livro: ela leu a obra em uma única sentada e, durante uma viagem, estava ao lado de Laura Dave, que é amiga de Jonathan Tropper. Neustadter disse que recomendou Lucky a Dave, que por sua vez levou a indicação a Tropper. A partir daí, o projeto ganhou forma com o criador e com Cassie Pappas como co-showrunner.
Neustadter também descreveu o tipo de confiança que existiu no desenvolvimento. Com Laura Dave e a 2ª temporada de The Last Thing He Told Me, houve um alinhamento simultâneo entre romance e roteiro. Já com Marissa Stapley, a dinâmica foi diferente: a autora teria dado liberdade para que a essência da personagem fosse mantida e, ao mesmo tempo, colocada em um ambiente “propulsivo” e cheio de tensão. A executiva chamou Lucky de um projeto com energia mais “masculina” do que qualquer outro trabalho da Hello Sunshine até então, com stakes altos e situações de perigo em diferentes direções.
O que reforça a ideia de continuidade é o fato de Stapley já ter sinalizado que está escrevendo um segundo livro, Not So Lucky. Neustadter contou que, enquanto a autora lia os roteiros e via a série ganhar vida antes mesmo das filmagens, ela ligou para a executiva para perguntar como reagiriam caso pensasse em um novo livro. A resposta foi entusiasmada, e a executiva destacou que, quando um autor se sente inspirado a continuar, isso é um elogio enorme. Mesmo com a série planejada como limitada, a possibilidade de novos capítulos literários pode alimentar o interesse do público e manter o universo vivo.
Atualizações de filmes: Mrs. Claus, Romantic Comedy, Maybe Next Time, Broken Country e The Nightingale
Além das séries, a Hello Sunshine também tem uma lista de filmes em desenvolvimento, muitos deles baseados em escolhas do Reese’s Book Club. Neustadter foi questionada sobre o andamento de projetos e confirmou que alguns seguem em fase de trabalho, ainda sem datas fechadas.
Um dos destaques foi Mrs. Claus, com Jennifer Garner. Neustadter disse que o filme “ainda está em andamento” e que conversou com a atriz no próprio dia. A executiva afirmou que o projeto está sendo trabalhado ativamente com a Netflix e que a expectativa é que a produção consiga “ir ao Polo Norte” com Garner, com esperança de que o filme avance rapidamente.
Outro título citado foi Romantic Comedy, baseado no livro de Curtis Sittenfeld, com Jordan Weiss na escrita. Neustadter afirmou que não há nada oficial ainda, mas que o projeto “está se juntando” e evoluindo. Ela também falou sobre Broken Country, de Claire Leslie Hall, mencionando que existe um acordo de filme com a Sony 3000 Pictures. Segundo a executiva, a empresa trabalha no desenvolvimento, mas ainda não havia detalhes para compartilhar. Neustadter descreveu o livro como especial e comparou seu potencial de imersão ao de Where the Crawdads Sing, destacando a presença de uma protagonista forte, além de elementos como mistério e romance.
Já Maybe Next Time, de Cesca Major, foi tratado como um projeto com apelo emocional. Neustadter disse que o filme está sendo desenvolvido com a Apple e que a história tem um tom de romance épico, com potencial para emocionar o público. Por fim, ela também comentou The Nightingale, adaptação do livro de Kristin Hannah. A executiva afirmou que a equipe ama a obra e que se sente privilegiada por participar do processo de transformar a história em um filme. Ela mencionou que as cenas têm sido impressionantes no dia a dia das filmagens e reforçou a importância de levar a história para as telas, citando o compromisso da Tristar com o projeto.
O que esperar do restante do calendário da Hello Sunshine
Ao longo da entrevista, fica claro que a Hello Sunshine está tentando equilibrar duas frentes: manter séries já estabelecidas em movimento e, ao mesmo tempo, preparar novos lançamentos com antecedência. Elle já está em produção para a segunda temporada, Lucky tem estreia marcada para julho e The Last Thing He Told Me segue gerando conversa sobre o futuro do elenco e do universo narrativo.
Para o público brasileiro, a relevância disso vai além do interesse por elenco e streaming. A tendência de adaptar livros e expandir histórias com sequências — seja em romances ou em séries — tem impacto direto na forma como as audiências acompanham narrativas. Em vez de “um produto fechado”, muitas dessas produções são pensadas como universos em construção, com continuidade e novas camadas de personagens. E, quando a Hello Sunshine acerta o ritmo entre literatura e roteiro, o resultado tende a ser uma experiência mais longa, com mais pontos de retorno para quem acompanha.
Com Elle e Lucky chegando em julho e vários filmes em desenvolvimento, a companhia sinaliza que a agenda de lançamentos não deve desacelerar. Resta acompanhar como essas histórias vão se conectar — e se a próxima etapa de cada universo vai confirmar o que a própria Neustadter deixou no ar: a sensação de que ainda há muito mais a contar.
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Fonte: deadline



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