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Guia de TV: melhores estreias e retornos para assistir a partir desta noite

<span class="c-media-item__caption">Come to Your Census: Dermot Bannon in the National Archives. Photograph: RTÉ </span>
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O que assistir a partir desta noite? A resposta, desta vez, vem com uma seleção que mistura séries e documentários de diferentes estilos — do passado histórico revisitado por celebridades ao universo de espionagem e ao humor ácido de uma mãe que tenta sobreviver ao caos do bairro. A seguir, reunimos os destaques do guia publicado pelo The Irish Times, com horários na Irlanda (RTÉ e BBC) e opções de streaming.

“Come to Your Census” (RTÉ One, domingo, 18h30)

Em 1926, o recém-criado Estado Livre realizou o primeiro censo do país. Quase um século depois, em abril, esses registros históricos foram disponibilizados gratuitamente ao público online — e agora viram ponto de partida para uma experiência televisiva em formato de viagem no tempo.

Em “Come to Your Census”, uma série especial em duas partes coloca seis figuras conhecidas da vida irlandesa para explorar, com a ajuda de especialistas, o que os dados do censo revelam sobre suas próprias raízes familiares.

A proposta é simples e ao mesmo tempo poderosa: usar documentos oficiais para entender como as pessoas viviam e, principalmente, o que a história diz sobre cada família. No primeiro episódio, o sindicalista Mick Lynch volta ao antigo cenário de pobreza urbana em Cork, onde sua avó viúva precisou criar sozinha uma criança pequena.

Em Connemara, a apresentadora da Raidió na Gaeltachta, Gormfhlaith Ní Thuairisg, investiga como a língua irlandesa já era um elemento central de identidade familiar — um detalhe que, muitas vezes, aparece nos registros de forma indireta, mas que ajuda a reconstruir trajetórias.

Mais tarde, o arquiteto Dermot Bannon mergulha na história de uma pequena cidade em Waterford, marcada pela presença dominante de um edifício específico: uma escola industrial. A série não trata apenas de curiosidades genealógicas; ela também convida o espectador a pensar sobre como políticas públicas, migrações e estruturas sociais moldaram vidas individuais.

E, para que a interpretação dos dados não fique no campo do “achismo”, as celebridades contam com o suporte dos especialistas dos National Archives, que ajudam a transformar números e categorias em histórias compreensíveis.

“Dermot Bannon’s Celebrity Super Spaces” (RTÉ One, domingo, 21h30)

Se a ideia de “espaço” costuma ser associada a arquitetura e design, “Dermot Bannon’s Celebrity Super Spaces” leva isso para um território mais íntimo: a casa como retrato de quem mora ali. Na nova série, Dermot Bannon visita lares e refúgios de pessoas famosas e procura entender como elas vivem, o que valorizam e como transformam ambientes em extensão da própria personalidade.

Neste episódio, ele circula entre Dublin e Londres, com uma parada em um castelo na região de Hampshire. Em Londres, o apresentador vai até a casa da comediante Joanne McNally, em Clapham, onde a decoração é descrita como uma explosão de cores — um contraste com a imagem tradicional de ambientes britânicos mais contidos.

De volta a Dublin, o roteiro segue para o camarim de Rory O’Neill, conhecido como drag queen Panti Bliss. Ali, o que chama atenção não é apenas o luxo do espaço, mas a história acumulada: um lugar onde a trajetória do figurino de drag couture fica exposta, como se fosse um arquivo vivo.

O episódio também passa pela casa dos anos 1940 de Camille O’Sullivan e Aidan Gillen. O casal teria resgatado o imóvel de um estado de abandono para transformá-lo em um espaço premiado, que funciona ao mesmo tempo como lar familiar e como ambiente onde artistas se sentem à vontade para criar.

Já em Hampshire, Bannon visita uma casa de campo com cerca de 300 anos nos arredores do Highclere Castle, onde vive a chef Clodagh McKenna com o marido, Harry. O casal administra uma fazenda sustentável de 100 acres (algo em torno de 40 hectares), com criação de galinhas, patos, porcos e gado Aberdeen Angus.

Além do trabalho rural, o episódio destaca a restauração de um jardim murado e de um pomar datados do século XVIII, também dentro das propriedades do castelo. E, como detalhe que reforça o tom “super spaces”, há até a construção de um bar no cenário verde ao redor — um tipo de ambiente que, mais do que estética, sugere convivência e rotina compartilhada.

“Making Life on Earth: Attenborough’s Greatest Adventure” (BBC One, domingo, 20h)

David Attenborough completa 100 anos em 8 de maio. Para celebrar a data, a BBC exibe “Making Life on Earth: Attenborough’s Greatest Adventure”, um documentário que revisita os bastidores de Life on Earth, série que marcou época ao levar a riqueza do mundo natural para as salas de estar de espectadores em todo o planeta.

A produção relembra como, há cerca de 50 anos, Attenborough e sua equipe percorreram 40 países e filmaram 600 espécies em seus habitats naturais. O texto do guia enfatiza o uso de técnicas de filmagem consideradas inovadoras para a época, com o objetivo de capturar a complexidade do reino vegetal e animal e, ao mesmo tempo, contar a história da evolução — dos primeiros fósseis até primatas mais complexos.

Entre os momentos que ajudaram a consolidar Attenborough como referência mundial, está uma das sequências mais famosas da televisão: quando ele conviveu com gorilas das montanhas em Ruanda.

O guia também lembra que a série foi vista por 500 milhões de pessoas no mundo. Agora, meio século depois, o documentário volta ao processo de criação e traz relatos de membros da equipe original, incluindo perigos enfrentados durante as gravações.

O episódio menciona, por exemplo, um golpe (coup) nas Comores e ameaças relacionadas ao exército de Saddam Hussein no Iraque. É um lembrete de que, por trás da beleza das imagens, havia risco real e logística complexa — e que a narrativa de evolução não foi apenas “filmada”, mas construída com esforço e improviso em cenários difíceis.

“Rian na Fola” (RTÉ One, segunda, 18h30)

Nem todo mistério fica no passado distante. Em “Rian na Fola”, a trama parte de um assassinato que permanece sem solução há 100 anos. O caso envolve Patrick M Foley, um historiador conhecido em Kerry que escreveu livros sobre a história da península de Dingle.

Em 1908, Foley deixou a esposa e dois filhos pequenos em Kerry e emigrou para os Estados Unidos. Depois disso, ele desapareceu por completo.

Somente 12 anos mais tarde a família recebeu a notícia de sua morte — mas não em circunstâncias comuns. A informação veio de Oklahoma, e o choque foi duplo: Foley teria sido assassinado, e os responsáveis seriam membros da Ku Klux Klan.

A partir daí, o apresentador e ex-jogador de GAA Dara Ó Cinnéide decide investigar como um detetive, tentando reconstruir o que aconteceu e por que o caso teria sido encoberto.

O guia descreve que Dara segue o rastro de Foley por diferentes lugares, incluindo Boston, Texas e o sul dos Estados Unidos. Para montar o quebra-cabeça, ele conta com a ajuda do historiador Mike Cochran e de Uriah Grass, líder da comunidade Cherokee.

O resultado é uma mistura de jornalismo investigativo e história, com a promessa de trazer à tona um episódio que atravessa migração, violência e disputas raciais.

“This Is a Bomb: The Nevada Casino Heist” (BBC Two, terça, 21h45)

Assaltos e golpes costumam ser narrados como histórias de audácia — mas, em “This Is a Bomb: The Nevada Casino Heist”, o que domina é o risco. Em agosto de 1980, funcionários do Harvey Casino, em Lake Tahoe, Nevada, receberam o que acreditavam ser uma máquina de cópia IBM.

O objeto, porém, era uma bomba grande e poderosa, projetada com cuidado para resistir a tentativas de desarme por equipes especializadas.

O guia aponta que havia uma carta de resgate junto ao dispositivo. Nela, os autores avisavam que qualquer tentativa de desativar ou neutralizar a bomba levaria à detonação. O recado também exigia US$ 3 milhões (aproximadamente R$ 16 milhões, em conversão aproximada) em troca de instruções para tornar o artefato inofensivo.

O mastermind do plano era John Birges, de 59 anos. Ele teria perdido uma fortuna apostando no próprio Harvey Casino e queria recuperar o dinheiro — “com juros”.

Ainda assim, o plano não funcionou como pretendido. Birges foi capturado, condenado à prisão perpétua e, durante uma tentativa de explosão controlada, o cassino sofreu danos consideráveis, mas sem registro de mortes.

O documentário conta a história do golpe fracassado e o que aconteceu depois, explorando como um evento que parecia “calculado” acabou esbarrando em limites reais de execução e resposta das autoridades.

“Amandaland” (BBC One, quarta, 21h)

Se a vida em Londres já é movimentada, imagine para Amanda Hughes, uma mãe divorciada que continua presa em SoHa (South Harlesden) e ainda tenta manter as aparências apesar das circunstâncias pouco favoráveis. Em “Amandaland”, segunda série do spin-off de Motherland, a regra é clara: não confronte Amanda com a realidade.

Ela “desliga” mais rápido do que alguém consegue dizer um pedido de bebida sofisticado.

Lucy Punch retorna como a personagem central, com Joanna Lumley interpretando a mãe, Felicity, e Philippa Dunne vivendo a melhor amiga Anne, que parece sempre estar um passo atrás do caos. No segundo ano, Amanda tenta aproveitar o que tem — mesmo com orçamento apertado — para se tornar a principal influencer de SoHa.

Para isso, ela aposta em sua marca online Senuous e também em um trabalho “co-lab” em uma loja de interiores, Kitchens Bathrooms and Kitchens.

Ao mesmo tempo, ela precisa lidar com os filhos adolescentes Georgie e Manus e com o vizinho de baixo, Mal, que pode ser tanto um incômodo quanto um possível interesse romântico. O guia também sugere que o bairro pode estar começando a “sentir o efeito Amanda”, com a abertura de uma cafeteria moderna.

A frase atribuída à personagem resume o tom: “She came, she saw, she gentrified.”

“David Attenborough’s 100 Years on Planet Earth” (BBC One, sexta, 20h30)

Além do documentário de domingo, a BBC também prepara uma celebração especial para a data do centenário. “David Attenborough’s 100 Years on Planet Earth” acontece na sexta-feira, com o foco em um grande evento no Royal Albert Hall, em Londres.

O guia descreve que a programação reúne histórias e reflexões de convidados ligados ao mundo da história natural e da conservação da vida selvagem, além de apresentações musicais associadas às séries mais conhecidas de Attenborough.

O texto menciona a BBC Concert Orchestra sob a regência de Jérôme Kuhn, reforçando que a homenagem não será apenas documental, mas também cultural — como se o legado do naturalista fosse tratado como parte da própria história da televisão.

Streaming: “Citadel” e “Legends”

Para quem prefere assistir no ritmo do streaming, o guia também traz duas estreias. “Citadel” chega à Prime Video a partir de quarta-feira, 6 de maio. A segunda série retoma a história do time de espiões formado por Mason, Nadia e Bernard, interpretados por Richard Madden, Priyanka Chopra Jonas e Stanley Tucci.

O grupo é chamado de volta por uma nova ameaça global, enquanto Bernard precisa recrutar novos agentes depois de perder muitos de seus antigos companheiros para a organização Manticore. O guia ressalta que, apesar do perigo iminente, a série mantém o equilíbrio entre tensão e momentos de humor, com diálogos rápidos, reações exageradas e sequências de ação coreografadas.

“Legends” estreia na Netflix a partir de quinta-feira, 7 de maio. A série se passa no início dos anos 1990, quando gangues de drogas dominam o Reino Unido e conseguem contrabandear narcóticos com aparente impunidade. Como a polícia não consegue conter o avanço, a solução é enviar “civil servants” — agentes do serviço público — para infiltrar as organizações criminosas mais perigosas.

O guia destaca que a base é uma história real: um grupo de oficiais aduaneiros britânicos foi encarregado de entrar no território dos traficantes. Não eram, segundo a descrição, agentes altamente treinados para combate, mas pessoas comuns mais acostumadas a lidar com burocracia do que com armas. Steve Coogan e Tom Burke lideram o elenco em uma produção em seis episódios criada e escrita por Neil Forsyth.

Com opções que vão do passado histórico ao presente do crime, do humor ao espetáculo da natureza, a semana promete variedade — e, para muitos espectadores, a chance de encontrar algo que combine com o humor do dia.


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Fonte: The Irish Times

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