Segundo o ex-desenvolvedor da Blizzard Mark Kern, mais conhecido como Grummz no X (antigo Twitter), as vendas de Ghost of Yotei continuam abaixo do esperado e, pior, a distância em relação ao primeiro jogo, Ghost of Tsushima, estaria aumentando. Para Sony e Sucker Punch, o cenário é de vitória no papel… mas dor de cabeça nos bastidores.
Em outubro, Kern já havia causado barulho ao dizer que Yotei estava na casa de 3,2 milhões de cópias vendidas. Pouca gente levou a sério — até que, semanas depois, a Gematsu noticiou que o jogo alcançou 3,3 milhões de unidades nos primeiros 30 dias. Um vazamento ficar a menos de 100 mil unidades de números oficiais da Sony não é algo comum na indústria, o que acabou dando mais peso às fontes de Grummz.
Agora, com a atualização pós-Black Friday, o quadro ganha novos contornos: Ghost of Yotei já ultrapassou 4 milhões de cópias, mas estaria 20% atrás de Tsushima no mesmo período após o lançamento.
Quem é Grummz e por que seus números chamam atenção
Mark Kern não é um anônimo comentando de fora. Ex-produtor da Blizzard, com passagem por jogos como World of Warcraft, ele se tornou uma figura polêmica, mas influente, nas redes. Sob o apelido Grummz, costuma publicar bastidores, rumores e vazamentos relacionados à indústria de jogos.
Quando ele afirmou, no fim de outubro, que Ghost of Yotei havia vendido cerca de 3,2 milhões de unidades, muitos acharam exagero, chute ou mera tentativa de ganhar relevância. A validação, porém, veio rápido: a Gematsu reportou que o jogo bateu 3,3 milhões de cópias em 30 dias — margem de erro mínima, considerando que os dados de Kern não eram oficiais.
“Lembrem-se: eu acertei em cheio os números da minha fonte, provado 100% correto antes”, reforçou ele em sua nova publicação, defendendo a credibilidade do novo vazamento.

Vendas de Ghost of Yotei: 4 milhões de cópias, mas 20% atrás de Tsushima
No novo relatório extraoficial, Ghost of Yotei teria ultrapassado a marca de 4 milhões de unidades vendidas. Isoladamente, é um resultado forte: o coloca entre os grandes lançamentos do ano, disputando espaço com outros AAA de múltiplas plataformas.
O problema surge quando se olha para o comparativo interno da própria Sony. No mesmo intervalo de tempo após o lançamento, Ghost of Tsushima teria vendido cerca de 20% a mais do que Yotei. Em outras palavras: a sequência, que normalmente deveria surfar no sucesso do original, estaria ficando para trás.
Para qualquer publisher, um jogo com 4 milhões de cópias é um bom negócio. Para a Sony, com a marca Ghost já consolidada, a pergunta inevitável é: por que o segundo capítulo não só não ampliou o público, como parece não estar acompanhando o ritmo do primeiro?

Por que o público não abraçou Yotei como abraçou Tsushima?
Preço cheio em época de bolso apertado
Um dos fatores mais citados é econômico: Ghost of Yotei foi lançado a US$ 70, e a versão digital ficou de fora das promoções digitais da Black Friday. Cópias físicas também não receberam descontos relevantes em grandes varejistas como Walmart e GameStop.
Tsushima, além de ter saído a US$ 60, passou a fazer parte de pacotes promocionais em fases posteriores do PS4 — o que ajudou o boca a boca a crescer com preços mais amigáveis. Em um ano com vários lançamentos caros disputando a mesma carteira, muita gente simplesmente priorizou outros títulos.
Menos consoles, menos alcance
Outro ponto relevante é a base instalada. Ghost of Tsushima chegou ao mercado no fim da vida útil do PS4, com cerca de 110 milhões de consoles vendidos no mundo. Ghost of Yotei, por outro lado, é um exclusivo de PS5, que até agosto contabilizava algo em torno de 80 milhões de unidades.
Mesmo que a taxa de “apego” (quantos donos do console compram o jogo) seja similar, o teto potencial de vendas é naturalmente menor. Para um título que tenta superar o original em pouco tempo de mercado, essa diferença de 30 milhões de consoles é tudo, menos irrelevante.
Mudanças criativas e desconfiança de parte do fandom
Yotei se passa mais de 300 anos após os eventos de Tsushima e traz uma protagonista feminina, rompendo com a figura de Jin Sakai que conquistou tantos jogadores. Em termos de narrativa, ambientação e elenco, a sequência assume uma identidade bem distinta.
Para alguns fãs, isso é oxigênio criativo. Para outros, soou como afastamento do que tornou o primeiro jogo especial. YouTuber Smash JT, por exemplo, argumenta que o próprio jogo pode ser o problema: quem esperava uma continuação mais “direta” pode ter visto o projeto como uma mudança brusca demais.
Em comunidades online, não faltam relatos de jogadores que adotaram uma postura de “esperar para ver”: em vez de comprar no lançamento, resolveram aguardar reviews, promoções ou o veredito da comunidade antes de investir 70 dólares e dezenas de horas em algo que parece tão diferente do original.
Polêmicas internas e desgaste de imagem
A situação de Ghost of Yotei também foi impactada por polêmicas envolvendo o time de desenvolvimento. Uma desenvolvedora da Sucker Punch foi demitida após fazer piada nas redes sociais sobre a morte de uma figura política conservadora dos EUA, o que gerou forte reação negativa e boicotes organizados por parte de alguns grupos de jogadores.
O episódio acendeu debates acalorados sobre posicionamento político, limites do humor e responsabilidade de desenvolvedores nas redes — e, como costuma acontecer, o jogo acabou no meio dessa guerra cultural. Houve relatos de cancelamento de pré-vendas e campanhas pedindo que jogadores “votassem com a carteira”.
Posteriormente, a desenvolvedora demitida afirmou ter sido alvo de uma campanha coordenada de assédio. O resultado prático, porém, foi um ciclo prolongado de má imprensa e ruído em torno do título, exatamente no período em que a Sony mais precisava de narrativa positiva para impulsionar as vendas.
Quando o vazamento vira sintoma de um problema maior
Nem todo mundo está convencido de que as fontes de Grummz são tão confiáveis quanto ele afirma. De fato, até o momento, a Sony não confirmou os números citados por ele, e qualquer leitura precisa ser feita com essa ressalva em mente.
Por outro lado, o histórico recente — com os 3,2 milhões praticamente batendo nos 3,3 milhões oficiais divulgados depois — faz com que o novo vazamento não possa ser simplesmente ignorado. Se ele estiver novamente na margem de erro de 100 mil cópias, o quadro pintado é claro: Ghost of Yotei vende bem, mas menos do que poderia, especialmente para uma sequência de uma das novas franquias mais queridas do PlayStation.
Mais do que a matemática exata, os números ecoam uma percepção generalizada: algo no posicionamento, no timing, nas escolhas criativas ou na comunicação fez com que uma parte considerável do público-alvo ficasse de fora — pelo menos neste primeiro momento.
O que a Sony pode fazer a partir daqui?
Se o cenário descrito pelas fontes de Grummz estiver próximo da realidade, a Sony tem algumas cartas previsíveis na manga:
- redução de preço ou promoções agressivas nas próximas grandes janelas de desconto;
- campanhas de marketing focadas em reforçar o que Yotei tem de continuísmo em relação a Tsushima, e não apenas o que muda;
- eventual lançamento em PC, ampliando o público e dando uma segunda vida comercial ao jogo;
- atualizações de conteúdo, expansões ou DLCs capazes de reacender o interesse da base mais engajada.
Independentemente da estratégia, o recado implícito desses vazamentos é incômodo: para muitos jogadores, Ghost of Yotei não se tornou compra obrigatória — pelo menos não no preço cheio e não no lançamento.
Vazamento certeiro ou exagero de bastidor?
Resta saber se Grummz vai acertar “duas em duas” com seus supostos números internos da Sony. Só quando (e se) a empresa divulgar dados oficiais será possível medir o quão preciso foi o vazamento pós-Black Friday.
Mas, do ponto de vista da percepção pública, talvez essa nem seja a principal questão. O mais preocupante para a Sony é a leitura que começa a se consolidar: Ghost of Yotei, apesar de tecnicamente impressionante e comercialmente sólido, parece ter falhado em repetir o mesmo impacto cultural e emocional de Ghost of Tsushima junto ao público-alvo.
E você? Acha que Grummz está novamente com a razão sobre as vendas de Ghost of Yotei? Por que acredita que a sequência está ficando atrás de Tsushima? Conte pra gente nos comentários.
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Fonte: thatparkplace



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