Lançado de forma inesperada, God of War Sons of Sparta no PS5 chegou sem aviso e rapidamente chamou a atenção dos fãs da franquia. Com cerca de 9 horas de duração, o novo título aposta em uma abordagem diferente — e, embora traga ideias interessantes, também revela limitações claras.
A proposta aqui não é competir diretamente com os grandes capítulos da saga, mas sim explorar novos caminhos. E isso fica evidente desde os primeiros minutos.

Uma nova visão para Kratos — mais humano do que nunca
Ambientado no início da linha do tempo da trilogia original, o jogo acompanha um jovem Kratos ao lado de seu irmão Deimos, ainda como recrutas espartanos. A narrativa é apresentada como um relato do próprio Kratos para sua filha, Calliope — uma escolha que adiciona uma camada emocional inesperada.
Essa abordagem funciona especialmente bem ao humanizar o personagem. Longe da figura quase mitológica que conhecemos, vemos aqui um Kratos mais vulnerável, ainda em formação, o que ajuda a conectar o passado com os eventos dos jogos mais recentes, como o reboot de 2018 e Ragnarök.
Além disso, o retorno de Deimos — personagem introduzido em Chains of Olympus — é um dos grandes acertos. A dinâmica entre os irmãos traz profundidade e reforça o peso emocional da jornada.

Narrativa simples, mas eficiente
A história gira em torno da busca por um recruta desaparecido, levando a dupla por uma jornada repleta de perigos e encontros com criaturas clássicas da mitologia grega.
Embora a premissa seja relativamente simples, ela cumpre bem seu papel. O jogo não tenta ser grandioso demais — e talvez esse seja um de seus maiores méritos. A experiência é direta, sem excessos, focada em entregar uma aventura consistente.
Ainda assim, quem espera uma trama complexa ou repleta de reviravoltas pode sair com a sensação de que faltou ambição.

Gameplay mistura ação clássica com estrutura Metroidvania
Um dos aspectos mais interessantes de God of War Sons of Sparta no PS5 é sua mudança de perspectiva. Aqui, a ação hack and slash tradicional da franquia é reinterpretada em um formato 2D com عناصر de exploração no estilo Metroidvania.
O que funciona bem:
- Combate dinâmico com boa resposta
- Sistema de upgrades variado
- Progressão baseada em habilidades e equipamentos
- Exploração com puzzles leves
Kratos utiliza uma lança espartana e um escudo, que podem ser aprimorados com modificadores elementais e habilidades especiais. Ao longo da jornada, novos equipamentos são desbloqueados, incluindo armas secundárias como fundas e ataques de fogo.
Os combates ganham profundidade com um sistema visual que indica as ações necessárias:
- Ataques que exigem parry
- Golpes que precisam ser esquivados
- Investidas impossíveis de bloquear
Esse sistema adiciona estratégia às batalhas, evitando que o jogo se torne repetitivo.

Onde deixa a desejar:
Apesar das boas ideias, o jogo raramente atinge todo seu potencial. Para um título com DNA Metroidvania, a exploração parece limitada, e o design de níveis não se destaca como deveria.
Fica a sensação de que o jogo “joga seguro” o tempo todo.
Visual e áudio: entre altos e baixos
Visualmente, o jogo apresenta uma mistura curiosa. Os sprites dos personagens são bem animados e fluidos, mas contrastam com cenários 2D mais estáticos e com estilo artístico diferente.
Esse choque estético pode incomodar, especialmente quando comparado a títulos como:
- Hollow Knight
- Blasphemous
Ambos conseguiram criar identidades visuais muito mais coesas dentro do mesmo gênero.
No quesito áudio, há um destaque importante: o retorno de Terrence C. Carson, a voz original de Kratos. Sua performance adiciona autenticidade e nostalgia, sendo um dos pontos altos da experiência.
Por outro lado, personagens secundários apresentam dublagens inconsistentes, incluindo erros de pronúncia que poderiam ter sido evitados.

Uso do PS5 é limitado
Mesmo sendo um lançamento exclusivo para PlayStation 5, o jogo não explora todo o potencial do hardware.
Há suporte para os gatilhos adaptáveis e feedback háptico do DualSense, o que melhora a imersão em alguns momentos. No entanto, no geral, a experiência poderia facilmente rodar em um PS4 — ou até mesmo ter sido lançada simultaneamente para PC.
Essa escolha levanta questionamentos sobre a estratégia da Sony, que parece priorizar a atual geração mesmo em projetos menores.
Um jogo feito para quem?
God of War Sons of Sparta não tenta reinventar a roda — e isso fica claro. Trata-se de um título mais contido, quase como um “projeto paralelo” dentro da franquia.
Ele funciona melhor para:
- Fãs antigos que querem expandir a lore
- Jogadores curiosos por novas abordagens da franquia
- Quem busca uma experiência mais curta e direta
Por outro lado, pode não agradar tanto:
- Quem espera algo no nível dos grandes lançamentos da série
- Fãs hardcore de Metroidvania
- Jogadores em busca de inovação técnica
Vale a pena jogar God of War Sons of Sparta?
A resposta depende muito da sua expectativa.
Como experimento dentro da franquia, o jogo é interessante. Ele expande o universo, desenvolve personagens e testa novas ideias. Mas, como produto isolado, acaba sendo apenas “bom” — sem grandes momentos memoráveis.
Ainda assim, há um elemento importante: ele parece preparar terreno para algo maior. Com a confirmação de remakes da trilogia original, Sons of Sparta funciona quase como uma introdução estratégica.
E talvez esse seja seu verdadeiro papel.
Veredito final
God of War Sons of Sparta é um jogo competente, com boas ideias e execução sólida — mas que evita riscos. Ele diverte, principalmente os fãs, mas dificilmente será lembrado como um marco da franquia.
Se você gosta do universo de Kratos, vale a experiência. Só não espere algo revolucionário.



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