Os filmes de anime variam bastante: vão desde materiais complementares, pouco significativos e ligados a grandes franquias, até obras transformadoras que se tornam clássicos ao longo do tempo. Nos últimos anos, títulos como Demon Slayer: Mugen Train e Jujutsu Kaisen 0 dominaram as conversas entre fãs, mostrando que filmes de anime são capazes de alcançar excelência cinematográfica.
Embora essa Lista de Favoritos reconheça obras cinematográficas importantes no mundo todo, muitos dos melhores filmes de anime ainda não receberam essa distinção. Considerando a seleção feita pela Criterion nas últimas quatro décadas, é tão importante olhar para clássicos influentes quanto identificar obras modernas que já merecem ser celebradas. Nem todo mundo concordará com essa lista, mas existem alguns filmes de anime que, sem dúvida, deveriam ser elevados ao status de coleção.
15. Jujutsu Kaisen 0 é superior a qualquer filme da “Big Three” dos shonens

O primeiro longa-metragem de Jujutsu Kaisen mereceria um espaço na Criterion Collection por ser um excelente filme de ação voltado ao público shonen, com ótima produção, humor e emoção suficientes para superarem a maioria dos filmes de Naruto ou One Piece. Ainda que Jujutsu Kaisen 0 não seja totalmente independente (ele é um prelúdio) e não se aprofunde em temas mais densos, o filme serve como uma história de origem para Yuta Okkotsu, cuja jornada se diferencia o bastante da de Yuji Itadori para se destacar. O sucesso no lançamento também justifica sua inclusão: em 2021, Jujutsu Kaisen 0 se tornou o filme de maior bilheteria do Japão, consolidando‑se como um sucesso internacional.
14. Demon Slayer: Mugen Train Quebrou Recordes como Nenhum Outro Shonen

Demon Slayer: Mugen Train se junta facilmente a Jujutsu Kaisen 0 como um dos melhores filmes shonen modernos já dignos da Criterion Collection. Enquanto muitos filmes derivados de séries não trazem inovações, Mugen Train prova que produções ligadas a séries podem ser fenômenos de bilheteria. O filme aproveita tudo o que a série de TV faz de melhor, elevando a franquia a novos patamares. A vitória contra Enmu e o sacrifício de Kyojuro Rengoku frente a Akaza transformam Mugen Train em um marco que nenhuma outra obra derivada da “Big Three” alcançou.
13. Wolf Children Explora as Alegrias e Dificuldades da Maternidade Solo

O filme Crianças Lobo é um tesouro subestimado. Sem envolvimento de Hayao Miyazaki ou Makoto Shinkai, a história, baseada em um breve mangá homônimo, coloca a maternidade solo no centro da narrativa. Após a morte do pai de seus filhos, Hana precisa criar sozinha duas crianças que se transformam em lobos. O tema, por si só, é suficiente para torná‑lo inspirador: não há lutas épicas nem conquistas materiais; são as alegrias e as agruras de criar filhos no interior que sustentam o drama.
12. Nausicaä do Vale do Vento Transforma a Natureza em Personagem

É comum nos filmes de Hayao Miyazaki encontrar mensagens pacifistas, e poucos exemplificam isso melhor do que Nausicaä do Vale do Vento. A obra tem paralelos com Duna, de Frank Herbert: em ambas, a natureza ganha personalidade própria. Aqui, o mundo natural não é um mero pano de fundo; ele interage com a heroína, que luta para preservar e respeitar o meio ambiente. O tema, cada vez mais urgente, faz de Nausicaä uma protagonista cuja mensagem ressoa mais a cada ano.
11. Look Back é uma Carta de Amor de Tatsuki Fujimoto a Outros Criadores

À primeira vista, Look Back parece um desvio completo em relação a trabalhos de Tatsuki Fujimoto como Fire Punch e Chainsaw Man, mas há uma linha comum: todos os projetos exploram a vulnerabilidade e os desejos empáticos de seus protagonistas. Aqui, a trama não gira em torno de demônios; trata-se da alegria de criar arte, que une duas jovens artistas enquanto elas crescem e enfrentam isolamento e dificuldades. A sensibilidade com que Fujimoto trata o processo criativo diferencia Look Back de filmes em que o protagonista busca apenas reconhecimento ou premiações.
10. Meu Amigo Totoro Celebra a Inocência Infantil de Forma Encantadora

Meu Amigo Totoro é um dos vários filmes do Studio Ghibli que merecem lugar na Criterion Collection. A obra de Miyazaki é uma exploração da vida sob o olhar de crianças, uma pausa bem-vinda em relação a filmes de adolescentes combatentes ou adultos exaustos. As irmãs Satsuki e Mei vivenciam seu novo lar com inocência e maravilha, o que torna o Totoro e outras criaturas seres mágicos e gentis, e o drama da doença da mãe ainda mais comovente, visto que as meninas são pequenas demais para ajudar.
09. O Tempo Com Você Exibe Temas Universais com Narrativa Visual Impressionante

Embora O Tempo Com Você traga a temática recorrente de Makoto Shinkai — jovens amantes separados por forças maiores —, o filme vai além: trata da escolha entre dever e amor, simbolizada pela “garota do sol”, Hina, e seu romance com Hodaka. A chuva constante em Tóquio ilustra o peso de abandonar o dever em favor da felicidade pessoal. A narrativa sugere que a felicidade de Hina traz um preço para todos, e a cidade inundada reflete essa decisão.
08. Summer Wars É um Aviso Sobre Inteligência Artificial

Summer Wars mistura comédia escolar e batalha épica contra uma IA descontrolada. O filme, que se tornou ainda mais pertinente com os avanços de IA na vida real, mostra o caos causado quando um programa malicioso atrapalha a vida cotidiana no Japão. O confronto virtual simboliza como a IA se constrói com base na presença online de milhões de pessoas, tornando-se mais que uma simples ferramenta: uma “massa” de dados que se volta contra a sociedade.
07. Túmulo dos Vagalumes Retrata de Forma Crua os Efeitos da Guerra

É tentador ver O Túmulo dos Vagalumes como um manifesto contra a guerra. O filme acompanha Seita e Setsuko nos meses finais da Segunda Guerra Mundial e vai além de uma mensagem antibélica: fala sobre o instinto de sobrevivência e os efeitos psicológicos do sofrimento. A obra mostra a dor de se afastar da sociedade e tentar sobreviver sozinho em tempos desesperadores. Embora o desfecho seja trágico, a coragem das crianças ao enfrentar o caos da guerra permanece comovente.
06. Akira Ajudou a Definir o Gênero Distópico Moderno

Obras como Neuromancer e Blade Runner influenciaram o cyberpunk, e Akira se soma a esse rol. O longa é digno de uma vaga na Criterion Collection só pela qualidade visual, que transformou o gênero em algo vívido e descolado. Akira também ajudou a popularizar o anime no Ocidente, com uma visão inteligente e detalhada de uma distopia futurista. O cenário é vibrante, mesmo quando tomado por desgraças urbanas, tornando a obra eletrizante e perturbadora.
05. Perfect Blue É um Thriller Psicológico Estonteante Sobre a Vida de Uma Artista

Fãs do seinen Oshi no Ko reconhecerão temas semelhantes em Perfect Blue. Ambos desconstruem o glamour da indústria do entretenimento, revelando o estresse e a alienação de performers que parecem felizes. Em Perfect Blue, a protagonista Mima Kirigoe, antiga idol, tenta se reinventar como atriz, mas começa a desintegrar a própria identidade diante de uma versão “perfeita” de si mesma. O contraste entre a imagem pública e a realidade interior cria um suspense angustiante e memorável.
04. Your Name. Retrata Amor, Saudade e Luto com Animação Poética

Your Name. (Kimi no Na wa) é frequentemente considerado o melhor trabalho de Makoto Shinkai. O filme mistura tons, narrativas e gêneros de forma brilhante. O clichê da “troca de corpos” é usado não apenas para humor, mas para permitir que Mitsuha e Taki se encontrem após a morte dela. O tempo e forças sobrenaturais separam os dois, mas eles não se entregam ao destino. Enquanto Taki tenta salvar a cidade de Mitsuha no corpo dela, sua jornada se torna épica e romântica, com um forte pano de fundo emocional.
03. A Voz do Silêncio Fala Sobre Bullying e o Poder de Cura do Tempo

A Voz do Silêncio (Koe no Katachi) aborda o bullying, mostrando como Shoya Ishida atormentava Shoko Nishimiya na infância. Mas o filme é, acima de tudo, sobre a dificuldade de se comunicar e compreender o outro — um desafio essencial na juventude. A surdez de Shoko e a culpa de Shoya são barreiras gigantes quando tentam se reconciliar no ensino médio. É uma história de possível romance em que até mesmo se entender é um desafio, enquanto Shoya lida com a rejeição alheia.
02. A Viagem de Chihiro Representa o Ápice da Crítica Ghibli à Vida Moderna

Para muitos, A Viagem de Chihiro é o filme mais icônico do Studio Ghibli. A obra reúne as melhores temáticas de Hayao Miyazaki em um conto pseudo-isekai. Trata de ganância e dos abusos de poder, lembrando que pessoas de posição podem ser fracas onde importa. É também uma história de amadurecimento: a protagonista Chihiro começa egoísta e precisa se tornar corajosa e altruísta para sair de um mundo encantado. Seus pais, por outro lado, nada lembram dessa jornada — caberá a Chihiro talvez ensinar algo a eles.
01. Ghost in the Shell Mudou a Ficção Científica Mais do que Matrix ou O Exterminador do Futuro

Lançado em 1995, Ghost in the Shell é, possivelmente, o filme de anime mais digno de entrar na Criterion Collection entre as grandes obras de ficção científica. Outros clássicos como Akira e O Exterminador do Futuro foram importantes, mas Ghost in the Shell mostrou o verdadeiro potencial de refletir sobre a humanidade versus as máquinas. A obra vai além de meramente usar tecnologia; mostra pessoas tornando-se máquinas de alta tecnologia, como a protagonista Motoko Kusanagi. O filme elevou padrões de produção, temas e enredo, influenciando diretamente obras como Matrix, como admitido pelos próprios Wachowski. Muitos veem Matrix como inovador ao confrontar realidade e virtualidade, mas esse conceito remonta a Ghost in the Shell.



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