O Sistema de Gestão para Empresas de Telecom, Linhas Telefônicas e IPTV
Nintendo Switch

Diretor de Ghost in the Shell Detona “Correção Política” nos Games e Animes: “Nem Dá Mais pra Dizer Que Alguém É Bonito”

Diretor de Ghost in the Shell Detona “Correção Política” nos Games e Animes: “Nem Dá Mais pra Dizer Que Alguém É Bonito”
Diretor de Ghost in the Shell Detona “Correção Política” nos Games e Animes: “Nem Dá Mais pra Dizer Que Alguém É Bonito”
Índice

Mamoru Oshii, lendário diretor de Ghost in the Shell, decidiu sair do silêncio contemplativo dos estúdios de animação e disparar uma saraivada de críticas contra o que ele vê como o grande vilão do entretenimento moderno: a correção política. Segundo ele, o conceito até pode ter nascido de boas intenções — mas como dizem por aí, o inferno está pavimentado de boas intenções e, aparentemente, também de personagens que “não podem ser bonitos demais”.

Mamoru Oshii dá conselhos a aspirantes a diretores de mangakás e animes durante uma entrevista com a Narō TV (2023)
Mamoru Oshii dá conselhos a aspirantes a diretores de mangakás e animes durante uma entrevista com a Narō TV (2023)

A crítica filosófica (ou nem tanto)

Durante uma de suas colunas mensais intitulada That Thing from That Movie, What Was It Again? (Sim, esse é o nome real), Oshii resolveu fazer o que todo veterano do setor eventualmente faz: reclamar. E reclamar muito.

Segundo o diretor, a correção política, que começou como uma forma de dar espaço aos grupos socialmente vulneráveis, teria se transformado em uma máquina de privilégios e censura estética. “Hoje, você não pode nem dizer que alguém é bonito ou feio sem ser acusado de discriminação”, disse ele, talvez frustrado por não poder mais elogiar a Major Kusanagi sem uma nota de rodapé explicando sua intenção artística.

Noa Izumi (Miina Tominaga) leva seu Ingram Labor para um teste de operações em Patlabor: The Movie (1989), IG Tatsunoko
Noa Izumi (Miina Tominaga) leva seu Ingram Labor para um teste de operações em Patlabor: The Movie (1989), IG Tatsunoko

Games, animes e a “tirania do feio”

Oshii não parou por aí. Com sua mira agora voltada para a indústria dos games, ele denunciou que empresas estão sendo pressionadas por consultorias — como a notória Sweet Baby Inc. — a pagar “milhões de dólares” para adequar narrativas a agendas inclusivas.

“Jogadores querem personagens bonitos ou fofos. Eu também quero! Então por que precisamos incluir personagens feios?!”

Uma pergunta que, segundo ele, resume bem a tragédia grega moderna do entretenimento.

A Major Kusanagi (Atsuko Tanaka) se prepara para invadir um transporte suspeito de ser o Mestre das Marionetes (Iemasa Kayumi) em Ghost in the Shell (1995), Production IG
A Major Kusanagi (Atsuko Tanaka) se prepara para invadir um transporte suspeito de ser o Mestre das Marionetes (Iemasa Kayumi) em Ghost in the Shell (1995), Production IG

“Aspiração” é a nova palavra proibida

O cineasta foi além, afirmando que o entretenimento é, acima de tudo, construído sobre aspiração — aquele ideal inatingível que faz os olhos brilharem e o público suspirar. Em sua opinião, ao remover esse componente, a indústria estaria arrancando justamente o que a torna mágica.

“Jogos ocidentais ficaram terríveis. E tudo por causa da correção política.”

E lá se vai mais uma franquia na mira do radar do mestre Oshii. Alguma surpresa?

Quando a Disney entra na história…

Como bom crítico da atualidade, Oshii não poderia deixar de cutucar a Disney. Para ele, a falha retumbante do live-action de Branca de Neve é mais um exemplo do uso deturpado de clássicos como veículo para discursos modernos.

“Contos de fadas existem para serem reinterpretados. Mas usar essas reinterpretações como plataforma política? Aí é outra história.”

Ele ainda menciona que já adaptou Chapeuzinho Vermelho várias vezes — sem transformar o Lobo Mau em porta-voz de campanha social, diga-se de passagem.

Branca de Neve (Rachel Zegler) lidera um protesto do lado de fora do castelo da Rainha Má (Gal Gadot) em Branca de Neve (2025), Disney
Branca de Neve (Rachel Zegler) lidera um protesto do lado de fora do castelo da Rainha Má (Gal Gadot) em Branca de Neve (2025), Disney

“Quero jogar, não ser doutrinado”

E para fechar com chave de ouro (ou um suspiro entediado), Oshii relembra o filme Dragon Quest: Your Story de 2019, que tentou ser meta, mas virou um tapa na cara do escapismo.

“As pessoas jogam pra fugir da realidade. Se é pra fugir, é claro que você quer ver garotas bonitas! Por que eu pagaria pra ser palestrado?!”

Uma pergunta retórica que pode ou não ter sido feita enquanto ele assistia a um remake com elenco diverso e suspirava por 1995.

O que sobra disso tudo?

No fim das contas, Oshii parece dizer em alto e bom tom: a fantasia perdeu seu brilho — ou ao menos seu contorno estético idealizado. A discussão pode (e deve) continuar, mas uma coisa é certa: o diretor de Ghost in the Shell ainda sabe como provocar, mesmo quase 30 anos depois de nos apresentar uma das maiores heroínas da ficção científica.

Quer mais polêmicas e debates quentes do mundo geek? Acesse agora a seção de Notícias!

Fonte: boundingintocomics

Comentários

Carregando...

Carregando comentários...