Em uma revelação chocante feita nas redes sociais, Sandy Petersen, lendário designer de Doom e ex-membro da Ensemble Studios, acusou Don Mattrick, ex-chefe da divisão Xbox da Microsoft, de encerrar propositalmente o desenvolvimento do MMO Halo: Titan — tudo, segundo ele, para proteger seu próprio bônus milionário.
A afirmação viralizou no X (antigo Twitter) no fim de outubro, reacendendo polêmicas sobre decisões internas da Microsoft nos anos 2000 e o abrupto fechamento do renomado Ensemble Studios, responsável por sucessos como Age of Empires.

Halo Titan: o MMO ambicioso que nunca viu a luz do dia
Segundo Petersen, o projeto Titan era um ambicioso MMO ambientado dezenas de milhares de anos antes dos eventos conhecidos da franquia Halo — antes mesmo dos Halos serem ativados e dizimarem formas de vida sencientes da galáxia. O enredo exploraria o embate entre os Forerunners e uma facção de “proto-Covenants” semelhantes aos humanos, com visual e atmosfera mais próxima da fantasia científica.
“Eu estava encarregado da construção desse universo primordial”, afirmou Petersen. “A estimativa de receita mais baixa que tínhamos com a Microsoft era de US$ 1,1 bilhão.”
Apesar das discrepâncias nas datas (Petersen diz que o projeto começou em 2008, enquanto registros indicam 2004), há consenso de que o título estava em estágio avançado de produção quando foi subitamente cancelado.
Um estúdio lucrativo abandonado
A justificativa de Petersen é alarmante: Don Mattrick teria encerrado o projeto para evitar custos de desenvolvimento que comprometeriam o alcance de um bônus baseado no lucro da Microsoft em um período de três anos.
“Titan levaria três anos e meio para ser concluído — além do prazo do bônus de Mattrick”, explicou. “Ao encerrar o Ensemble, ele cortava gastos e protegia sua meta pessoal de ações. Tudo o que ele perdeu foi um estúdio que nunca vendeu menos de três milhões de cópias por jogo.”
“O machado da EA”: Críticas pesadas a Mattrick
Petersen não poupou palavras: “Don começou como um machado da EA, então o que você esperaria?”. A crítica remete ao passado de Mattrick na Electronic Arts, onde ele era conhecido por adotar medidas rígidas de corte e reorganização.
Esta não é a primeira vez que o designer fala publicamente sobre o colapso da Ensemble. Em uma entrevista no programa Bored With Nelly, ele já havia implicado Mattrick, mas a alegação de interesse pessoal no cancelamento do projeto ainda não havia sido feita com tamanha clareza.
Reação da comunidade e contexto histórico
A gestão de Don Mattrick na divisão Xbox é, até hoje, controversa. Sob sua liderança, o Xbox apostou em iniciativas como o Kinect, a reformulação do menu com avatares estilo Mii, e o desastroso lançamento do Xbox One, com foco em mídia sempre online — decisões que foram amplamente criticadas pelos fãs e que abriram caminho para a dominância da Sony com o PlayStation 4.
O fechamento do Ensemble, estúdio com histórico de vendas sólidas e projetos promissores, nunca fez sentido à luz dos resultados. Dave Pottinger, ex-diretor técnico da Ensemble, também já havia lamentado a decisão: “É difícil olhar para o que fizemos e justificar a decisão como a ‘certa para os acionistas’.”
Titan: o maior “E Se” da história de Halo?
Com a escala do projeto, o histórico do estúdio e o potencial narrativo do universo expandido de Halo, Titan poderia ter sido um divisor de águas no gênero MMO e no universo da franquia. A ideia de explorar a galáxia pré-Halo, com elementos que remetem a Star Wars: Knights of the Old Republic, ainda fascina os fãs — e a divulgação recente de artes conceituais e modelos 3D apenas reforça o lamento.
A Microsoft jamais comentou oficialmente os detalhes do cancelamento, e até o momento, Don Mattrick não respondeu às novas acusações.
Enquanto isso, a comunidade segue se perguntando: o que teria acontecido se Halo Titan tivesse sido lançado? Em uma era onde MMOs continuam ganhando versões expandidas e remakes, a ideia de revisitar o projeto talvez não seja tão impossível quanto parece — mas, para isso, seria preciso reconquistar a confiança dos fãs com mais transparência e respeito à história de seus estúdios.



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