O Sistema de Gestão para Empresas de Telecom, Linhas Telefônicas e IPTV
Notícias

Asif Kapadia vai dirigir o último capítulo de “Up” (ITV): série documental chega ao fim em 2026

Asif Kapadia vai dirigir o último capítulo de “Up” (ITV): série documental chega ao fim em 2026
Asif Kapadia vai dirigir o último capítulo de “Up” (ITV): série documental chega ao fim em 2026
Índice

Asif Kapadia vai assumir a direção do último capítulo da série documental britânica “Up”, do ITV. A produção acompanha um grupo de pessoas desde a infância em intervalos regulares de sete anos e chega ao fim com uma nova edição que deve ir ao ar ainda em 2026, encerrando um projeto que se tornou referência na televisão do Reino Unido.

O anúncio marca o fechamento de uma jornada iniciada em 1964. Ao longo de mais de seis décadas, Up observou como origem social, oportunidades e escolhas moldam trajetórias pessoais. Em 2024, a série foi eleita a produção televisiva mais influente dos últimos 50 anos em uma lista organizada pelo Broadcasting Press Guild, com votação de escritores de TV do país.

De Michael Apted a Asif Kapadia: a continuidade do legado em Up

A série ficou por muitos anos sob direção de Michael Apted, que morreu em 2021. Com a passagem do bastão, Kapadia — conhecido por documentários como Amy Winehouse, Ayrton Senna e Diego Maradona — agora conduz o encerramento do projeto. Em declarações divulgadas na imprensa britânica, ele descreveu a nomeação como uma “honra e privilégio incríveis”.

Kapadia também afirmou que o documentário é, para ele, o seu favorito de todos os tempos e que considera a série original “o retrato definitivo da vida humana”. A fala ajuda a explicar por que a escolha do diretor é tratada como mais do que uma troca técnica: é uma tentativa de preservar o tom e a proposta do programa, que sempre se apoiaram na observação paciente e na confiança construída com os participantes.

Do lado do ITV, a comissão do projeto reforçou a ideia de continuidade. Jo Clinton-Davis, responsável pelo setor de factual no canal e também com papel de comissionadora de 70 Up, chamou a série de um marco da produção audiovisual, que “se tornou parte do nosso tecido cultural”. Segundo ela, o último episódio funciona também como uma homenagem ao trabalho de Apted.

Clinton-Davis destacou ainda que, com Kapadia, o ITV aposta em um diretor capaz de levar “paixão, criatividade e um talento incrível”, ao mesmo tempo em que protege o legado construído ao longo de décadas. Para a executiva, o encerramento é também um tributo à coragem do elenco, que segue compartilhando suas vidas para que o público possa reconhecer, nas histórias, aspectos da própria experiência.

Neil Hughes, que participa da série Up, aos 14 e 49 anos. Montagem: ITV
Neil Hughes, que participa da série Up, aos 14 e 49 anos. Montagem: ITV

Como nasceu “Up” e por que a série virou fenômeno

“Up” começou com uma intenção bem diferente da que se consolidou depois. A ideia original era produzir algo pontual: um retrato do sistema de classes britânico e uma investigação sobre como esse contexto molda a vida das pessoas. O conceito foi criado por Tim Hewat, editor fundador do programa World in Action, da Granada. Hewat se inspirou em uma frase atribuída aos jesuítas: “Dê-me a criança até que ela tenha sete anos e eu mostrarei o homem”.

No primeiro filme, com duração de cerca de 40 minutos, Apted atuou como pesquisador. A produção buscou crianças britânicas de diferentes faixas sociais, selecionando 14 participantes com idades de sete anos. Alguns deles chamaram atenção rapidamente do público. Um exemplo é Neil Hughes, de Liverpool, que na época declarou: “Quero ser um astronauta”.

O que era para ser um retrato único acabou se transformando em um formato recorrente. A cada novo ciclo, o público voltava a encontrar aqueles participantes, agora mais velhos, observando como suas vidas se transformavam — e, em muitos casos, como não seguiam necessariamente o caminho imaginado na infância.

O experimento humano de Up e suas consequências ao longo do tempo

Com o passar dos anos, a série passou a oferecer um tipo raro de narrativa: não é ficção, não é entrevista pontual e não é apenas “história de vida”. É um acompanhamento que permite ver mudanças graduais, rupturas e permanências. No caso de Hughes, por exemplo, a trajetória oscilou entre períodos de depressão e fases marcadas por dificuldades severas, incluindo esconderijos (como squats), situações de rua e até pobreza extrema.

Mais tarde, ele se tornou pregador leigo e também chegou a atuar como conselheiro pelo Partido Liberal Democrata. A série, nesse sentido, não “empurra” um único tipo de desfecho: ela mostra como a vida real pode seguir rotas inesperadas, com avanços, perdas e recomeços.

Em entrevista ao The Guardian em 2019, Hughes descreveu a série como uma “interpretação” do que foi sua vida — uma forma de reconhecer que o documentário não apenas registra, mas também organiza o sentido do que foi vivido. Ainda assim, o experimento teve limites e escolhas pessoais. Apenas um participante, Charles Furneaux, pediu para encerrar a experiência antes do fim. Outros, em alguns momentos, optaram por não aparecer em todas as edições.

O tempo também cobrou seu preço. Dois participantes já morreram: Lynn Johnson, em 2013, e Nick Hitchon, em 2023. Hitchon era filho de um agricultor de Yorkshire e se tornou um cientista respeitado, reforçando como a série acompanhou não apenas trajetórias “dramáticas”, mas também carreiras e conquistas construídas ao longo do caminho.

Por que o “último capítulo” de Up importa além do Reino Unido

O encerramento de Up acontece em um contexto em que o público discute com mais frequência o papel da televisão documental: até onde vai a observação? Como garantir ética e respeito com participantes ao longo de décadas? E o que acontece quando a história registrada passa a ser, também, uma história compartilhada com o espectador?

Em 2024, a série voltou a ganhar destaque ao liderar uma lista de produções mais influentes das últimas cinco décadas. A compilação foi organizada pelo Broadcasting Press Guild e escolhida por meio de votação de escritores de TV. Esse tipo de reconhecimento ajuda a explicar por que o anúncio do fim do projeto repercute: Up não é apenas um programa antigo, mas um modelo de como a televisão pode construir memória coletiva.

Em 2012, quando foi perguntado por quanto tempo a série continuaria, Apted disse ao The Guardian: “Enquanto eu estiver acima do chão, eu vou continuar… Talvez, se eu não estivesse acima do chão, alguém mais assumiria.” A previsão, de certa forma, se cumpriu. Apted não chegou a dirigir o encerramento, mas sua ideia de continuidade foi mantida — agora com Kapadia fechando o arco narrativo.

Com o último episódio, a série deve retomar o que sempre fez de forma singular: mostrar como a vida real se desenha com o tempo, sem promessas fáceis e sem roteiro. Para quem acompanhou as edições anteriores, o fim de Up significa mais do que o término de um formato. É o encerramento de um experimento televisivo que transformou pessoas comuns em espelhos de uma sociedade inteira.


Confira mais novidades em nosso Portal de Notícias!


Fonte: The Guardian

Comentários

Carregando...

Carregando comentários...