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7 animes quase perfeitos dos anos 2010 que muita gente deixou passar

7 animes quase perfeitos dos anos 2010 que muita gente deixou passar
7 animes quase perfeitos dos anos 2010 que muita gente deixou passar
Índice

Os anos 2010 foram, para o anime, uma espécie de “ponto de virada” global. A cada temporada, mais fãs apareciam fora do Japão, plataformas de streaming aceleravam a descoberta de novos títulos e o consumo deixava de ser restrito a nichos. Com isso, franquias enormes dominaram as conversas — e, inevitavelmente, algumas séries excelentes ficaram à sombra do barulho. O resultado é que muita gente só lembra do que virou fenômeno, mas não do que realmente merecia atenção.

Se você sente que já viu tudo o que “todo mundo fala”, talvez seja hora de olhar para o outro lado da década. A seguir, reunimos sete animes dos anos 2010 que entregam histórias fortes, personagens marcantes e ideias ousadas — mas que, por diferentes motivos, não alcançaram o mesmo nível de popularidade de títulos mais comentados. São séries quase perfeitas, com qualidades que resistem ao tempo e que ainda hoje valem uma maratona.

07. Bakuman: a paixão por mangá nascida do mesmo universo criativo de Death Note

É curioso que Bakuman não tenha uma base de fãs maior, especialmente porque a obra nasceu das mentes responsáveis por Death Note. O roteiro de Tsugumi Ohba e o desenho de Takeshi Obata criaram uma história que parece, ao mesmo tempo, um romance sobre sonhos e um retrato do funcionamento interno do mercado de mangás.

No centro da trama estão Moritaka Mashiro e Akito Takagi, dois jovens que decidem criar uma série própria. A jornada, porém, não é glamourosa: eles enfrentam editores exigentes, prazos apertados, frustrações e até consequências físicas do ritmo de trabalho.

O que torna Bakuman especial é a forma como a série transforma bastidores em narrativa. Em vez de tratar o mundo editorial como pano de fundo, o anime faz dele parte do conflito — e, com isso, cria uma meta-história sobre criação, autoria e sobrevivência artística.

Para quem gosta de entender como as obras são construídas, a série funciona como um guia emocional: mostra que talento não basta, que disciplina pesa e que o caminho até o reconhecimento é frequentemente tortuoso. Mesmo quem não acompanha mangá com frequência tende a se envolver, porque o anime fala de ambição de um jeito humano.

06. Yurikuma Arashi: uma mistura improvável que virou identidade própria

Yurikuma Arashi tem uma premissa tão estranha que, em tese, deveria ter virado meme instantâneo nos anos 2010. Ainda assim, passou relativamente despercebido. A história se passa em um mundo em que uma chuva de meteoros transforma ursos em criaturas violentas e sedentas de sangue. Para proteger a população, os humanos constroem muros e tentam manter distância desses “ursos”.

O problema é que duas criaturas — Ginko Yurishiro e Lulu Yurigasaki — conseguem escapar e, de forma inexplicável, acabam virando garotas. Elas se infiltram em uma escola e passam a conviver com estudantes, incluindo Kureha Tsubaki, uma jovem que nutre um ódio profundo por ursos depois que o crush e a mãe foram mortos por um deles.

A partir daí, o anime segue uma lógica surreal: o que poderia ser apenas absurdo vira comédia e romance, com momentos de ternura e caos. O resultado é uma obra que mistura elementos de GL, sci-fi e fantasia com uma naturalidade que só funciona porque a série tem coragem de ser diferente.

Há também um cuidado na direção que ajuda a sustentar o tom excêntrico. Para quem busca algo fora do padrão, Yurikuma Arashi é daqueles títulos que lembram: anime não precisa “parecer com o que já deu certo” para ser bom.

05. Run with the Wind: o esporte que quase ninguém achou emocionante… até assistir

Os anos 2010 foram férteis para anime esportivo. Haikyu!!, Free! e Yuri on Ice!!! ajudaram a consolidar o gênero e a provar que, com personagens bem escritos, até esportes menos “cinematográficos” podem prender o público. Ainda assim, Run with the Wind não recebeu o mesmo nível de reconhecimento.

O curioso é que a própria ideia do anime — correr — pode soar pouco empolgante para quem espera explosões e lances espetaculares. Mas o anime aposta no que realmente importa: pessoas.

A história acompanha Kakeru Kurahara, um corredor experiente que está desiludido com o esporte, e Haiji Kiyose, que sonha em participar de uma maratona com uma equipe. Juntos, eles formam um grupo universitário para competir, e o desenvolvimento do elenco vai revelando por que cada personagem corre.

Há espaço para humor e também para frustração real. Mesmo com uma animação que, em alguns momentos, parece mais “simples”, o anime compensa com ritmo emocional e foco em crescimento.

Run with the Wind mostra que esporte é, antes de tudo, sobre esforço contínuo — e que a motivação pode nascer do encontro entre quem acredita e quem já desistiu.

04. Beautiful Bones: Sakurako’s Investigation: mistério macabro com leveza e filosofia

Todo mundo gosta de um detetive excêntrico. Só que Beautiful Bones: Sakurako’s Investigation não ganhou a mesma popularidade de Death Note (L), nem do universo de Case Closed (Conan Edogawa).

A razão pode estar no tipo de fascínio que a série provoca: Sakurako Kujo é obcecada por ossos. Ela é inteligente, carismática e até tem um histórico social que contrasta com sua reclusão — mas, no fundo, prefere viver rodeada de ossos de animais e, quando surge um caso, se interessa por restos humanos com uma frieza que beira o desconfortável.

O anime acompanha Sakurako e seu assistente, Shotaro Tatewaki, enquanto eles usam habilidades forenses para resolver crimes que quase sempre terminam em cadáveres. A graça está no contraste: o tema é pesado, mas a série encontra um jeito de trazer leveza ao macabro.

Ao mesmo tempo, há espaço para reflexão sobre vida e morte, como se cada caso fosse também uma pergunta sobre o que sobra quando tudo termina. Para quem gosta de mistério com atmosfera própria, a série oferece um equilíbrio raro.

Não é apenas “investigar e pronto”: é observar comportamentos, entender pistas e lidar com a tensão entre curiosidade científica e limites éticos.

03. After the Rain: romance que foge do clichê do “gap” e aposta na cura

Quem lê apenas a sinopse de After the Rain pode achar que vai assistir a um romance com um elemento de diferença de idade grande — e, em alguns animes, esse tipo de dinâmica pode soar problemático. Mas a série toma outro caminho.

Akira Tachibana, uma estudante do ensino médio, percebe que está apaixonada por seu gerente, Masami Kondo, que tem 45 anos. A descoberta acontece quando ele demonstra gentileza em um momento em que outras pessoas não fazem o mesmo.

O anime poderia transformar isso em algo sombrio ou invasivo, mas não é o que acontece. O foco está na insegurança de Akira, no medo de confessar sentimentos e, principalmente, no que o relacionamento desperta nela.

Conforme a história avança, fica claro que o “gap” não é o centro do espetáculo: o centro é a redescoberta de paixões perdidas.

Akira volta a correr depois de uma lesão que a fez parar. Masami, por sua vez, retoma a escrita de romances com a ajuda de um amigo da faculdade. Em vez de uma trama que empurra o casal para um desfecho romântico imediato, o anime escolhe uma rota mais humana: os dois se tornam apoio emocional um do outro.

E, para quem teme que a série termine em algo “romantizado demais”, há um alívio: o anime não se sustenta em um final que apaga as consequências. Ele prefere mostrar amadurecimento.

02. Humanity Has Declined: um cenário sombrio que vira comédia satírica

Humanity Has Declined pode parecer, à primeira vista, um anime pós-apocalíptico. A premissa é, de fato, sombria: a humanidade está diminuindo e criaturas do tipo fada dominam a Terra.

Só que a estética pastel e o tom geral não poderiam estar mais distantes de uma distopia pesada. O protagonista, conhecido como Watashi (ou “Ms. Sweets”), atua como mediador entre as fadas — que têm aparência “fofa”, mas comportamento travesso — e os humanos restantes.

A graça está em como o anime satiriza a sociedade. As fadas podem ter sorrisos permanentes, mas isso não significa que sejam inofensivas. Já Ms. Sweets, apesar de parecer gentil, carrega um pessimismo que aparece em piadas secas e humor de baixa temperatura.

O resultado é uma comédia-fantasia com profundidade inesperada. A série usa o absurdo para comentar comportamentos humanos, expectativas sociais e a forma como a gente tenta manter a normalidade mesmo quando tudo desanda.

É aquele tipo de anime que, mesmo quando parece leve, deixa uma camada de reflexão no caminho.

01. 91 Days: drama de máfia com ritmo de tragédia

Entre os animes de gangsters dos anos 2010, alguns títulos se tornaram referência: Banana Fish, Bungou Stray Dogs e Jojo’s Bizarre Adventure: Golden Wind. Talvez por isso 91 Days tenha ficado menos lembrado — mesmo sendo, na prática, um dos mais diretos e intensos quando o assunto é crime organizado.

A história se passa nos Estados Unidos durante a Lei Seca (Prohibition). Todos os personagens pertencem a famílias da máfia italiana e vivem em um ciclo de assassinatos, contrabando e traições. O anime não tenta reinventar o gênero: ele abraça o que funciona e entrega uma narrativa de vingança com atmosfera pesada.

O protagonista, Angelo Lagusa, busca matar o Don da família Vanetti depois que sua própria família é assassinada sem piedade. Para chegar até o alvo, ele conquista a confiança de Nero, filho do chefe, e passa a operar por dentro do grupo.

O que se vê é um drama que lembra tragédias clássicas: cada decisão tem peso, cada aproximação carrega risco e o sangue não aparece como “efeito”, mas como consequência.

Se você procura um anime de máfia que não dependa de exageros para ser impactante, 91 Days é uma escolha forte. Ele tem violência, tensão e um senso de inevitabilidade que prende do começo ao fim.

No fim, o que esses sete títulos têm em comum é simples: eles foram bons o suficiente para merecer mais atenção. Talvez não tenham sido os mais barulhentos da década, mas oferecem algo que os fenômenos nem sempre conseguem: personalidade. E, para quem quer expandir o repertório além do “topo da lista”, é exatamente isso que torna os anos 2010 tão interessantes — ainda que muita gente tenha deixado essas séries para depois.


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