A 4ª temporada de Invincible levou o drama animado de super-heróis do Prime Video a um novo patamar — e, como costuma acontecer com a série, terminou com um gancho que deixa o público ansioso por respostas. Lançada originalmente em 2021, a produção se consolidou como um dos grandes fenômenos recentes do streaming, provando que animação também pode carregar o peso emocional e a violência estilizada que muita gente associa ao melhor do gênero de ação. Se você terminou a temporada e está procurando animes de ação para assistir depois da 4ª temporada de Invincible, a boa notícia é que há opções capazes de conversar diretamente com o que a série entrega: conflitos morais, batalhas intensas e personagens que pagam um preço alto pelas próprias escolhas.
Em um cenário em que títulos como Dragon Ball Z e Jujutsu Kaisen já fazem parte do repertório popular de fãs de anime, Invincible chama atenção não só por ser animado, mas por compartilhar temas comuns ao universo shonen e ao público que gosta de histórias de superpoderes com consequências reais. A seguir, veja uma seleção de animes de ação que tendem a agradar quem gostou da mistura de brutalidade e drama da série.
05. Cyberpunk: Edgerunners — emoção em doses violentas

Cyberpunk: Edgerunners, adaptação oficial do universo de Cyberpunk 2077, chegou em 2022 e rapidamente virou queridinho de uma nova geração. A série funciona como um espetáculo de ação do começo ao fim, mas o que realmente a diferencia é como ela acelera o coração do espectador: em apenas 10 episódios, constrói crescendos emocionais que parecem levar temporadas para serem alcançados em outras produções.
Ambientada em Night City, a trama acompanha David Martinez, um protagonista que já começa a história com a sensação de estar condenado. A narrativa coloca o personagem diante de escolhas que testam o que ele considera “certo” e “errado”, enquanto a violência aparece de forma brutal e sem romantização. Para fãs de Invincible, a conexão costuma ser imediata: ambos os universos tratam o heroísmo como algo frágil, que pode ser quebrado por circunstâncias, perdas e decisões irreversíveis.
Além disso, Edgerunners tem personagens bem construídos e um ritmo que alterna impacto e tensão. É o tipo de anime que não se limita a entregar pancadaria — ele usa a ação para reforçar o peso emocional do que está acontecendo.
04. To Be Hero X — o lado cruel dos super-heróis

To Be Hero X é uma produção original do formato donghua, em co-produção entre BeDream, Bilibili e Aniplex. A série chamou atenção quando estreou na primavera de 2025, e isso não foi por acaso: o anime adota uma estrutura antológica não linear, alternando perspectivas entre episódios, o que ajuda a desmontar a ideia de que existe um “lado único” para heróis e vilões.
O mundo de To Be Hero X é uma sociedade futurista em que a reputação é tratada como um sistema público de pontuação. Os heróis ganham poder a partir de um “Trust Value”, como se a confiança coletiva fosse combustível para habilidades extraordinárias. Só que, quando esse mecanismo vira regra social, a história passa a investigar o que acontece quando a moral vira estatística — e quando a violência é incentivada por um sistema que recompensa a imagem, não o caráter.
Logo no primeiro episódio, a série já deixa claro o tom sombrio: um herói querido morre em circunstâncias suspeitas, alguém rouba a identidade do personagem e, ainda por cima, a namorada do herói é encontrada morta em casa. A partir daí, o anime vai revelando as camadas do mistério com uma brutalidade que combina com o tipo de narrativa que Invincible popularizou: ação vem, mas a história insiste em mostrar as consequências.
Outro ponto que tende a agradar quem curte Invincible é o visual. A produção mistura estilos 2D e 3D de forma marcante, criando uma estética que acompanha a tensão do enredo. É um anime que desafia a ideia de “super-herói” como sinônimo de proteção — e isso conversa diretamente com o subtexto mais incômodo de Invincible.
03. Jujutsu Kaisen — um universo mais sangrento do que parece

Invincible já é conhecido por ser uma série extremamente sanguinária, mas Jujutsu Kaisen adiciona uma camada de escuridão que vai além do choque imediato. A violência em Invincible muitas vezes segue um padrão: batalhas com superpoderes, confrontos diretos e golpes que parecem previsíveis dentro do “estilo” da série. Já em Jujutsu Kaisen, as lutas envolvem Energia Amaldiçoada e Técnicas Amaldiçoadas que podem surgir de maneiras inesperadas — o que torna o resultado mais imprevisível e, consequentemente, mais gráfico.
O sistema de poder é parte do motivo. Assim como os super-heróis de Invincible não controlam totalmente o que acontece quando entram em combate, os feiticeiros de Jujutsu Kaisen também não têm garantia sobre quais habilidades vão se manifestar como Técnicas Amaldiçoadas. Isso cria um mundo em que o perigo não é apenas o inimigo — é a incerteza do que pode aparecer quando alguém decide lutar.
O anime ainda tem um protagonista fácil de torcer, Yuji Itadori, que costuma funcionar como ponte emocional para o público. Para quem gosta de acompanhar personagens que tentam fazer o “certo” mesmo quando o universo parece não dar espaço para isso, a identificação tende a ser forte. E, além do conteúdo, o estilo visual e a energia da animação ajudam a manter o interesse mesmo em momentos de maior tensão.
02. My Hero Academia — a crítica por trás da fantasia

My Hero Academia é um nome que praticamente todo fã de anime conhece, e não é exagero dizer que a série se tornou referência no gênero de super-heróis. Lançado em 2016, o anime é considerado um dos pilares da nova geração shonen, com um universo que mistura treinamento, rivalidade, crescimento pessoal e batalhas que viraram assunto entre fãs.
Apesar de ser bem menos sombrio do que To Be Hero X e Jujutsu Kaisen, My Hero Academia ainda é importante para entender como o gênero evoluiu. A série expõe, aos poucos, um subtexto que vai além do “herói bonzinho”: existe drama familiar, existe pressão social e existe um preço para viver em um mundo onde poderes são parte do cotidiano.
Para quem assistiu Invincible, um dos paralelos mais fáceis de notar está no drama envolvendo a família Todoroki. A figura paterna com um passado sombrio, a forma como o público enxerga esse pai como herói e o conflito entre gerações criam uma dinâmica que lembra a luta central de Invincible: a tentativa de reparar uma relação depois de uma traição devastadora. Não é uma cópia — mas é um eco temático que costuma prender o espectador.
Em outras palavras, My Hero Academia pode ser uma alternativa para quem quer continuar no universo de super-heróis, mas com espaço para emoções difíceis e dilemas que não se resolvem apenas com força.
01. Dragon Ball Z — o tema central é pai e filho

Se a ideia for escolher apenas um anime para assistir depois de Invincible, a recomendação mais direta é Dragon Ball Z. A comparação entre as duas histórias é difícil de ignorar: ambas trabalham com relações familiares que atravessam o enredo, com personagens que se tornam mais fortes, mas também mais complexos à medida que enfrentam perdas e responsabilidades.
Em Dragon Ball Z, o tema de paternidade aparece como eixo narrativo. A série constrói a ideia de que a força não é apenas sobre vencer batalhas, mas sobre carregar consequências. Esse tipo de abordagem combina com o que Invincible faz com seus Viltrumitas: seres que buscam poder, que se fortalecem com o tempo e que, em muitos momentos, colocam a própria linhagem e o próprio povo acima de qualquer lealdade externa.
Há ainda um paralelo cultural que fãs costumam brincar: os Saiyajins e os personagens de Invincible compartilham traços que lembram a mesma “vibe” de raça guerreira — com retorno mais forte após derrotas, foco em conquista e um senso de identidade que não depende da aprovação do mundo. Claro, são universos diferentes, mas a sensação de “família em guerra” e “poder que cobra preço” é muito semelhante.
Assistir Dragon Ball Z depois de Invincible pode funcionar como um respiro — ainda que seja um respiro com explosões, transformações e batalhas épicas. Ao mesmo tempo, é uma forma de revisitar uma das maiores influências da animação moderna, entendendo por que tantas histórias de superpoderes continuam voltando ao mesmo tipo de conflito: o que acontece quando o amor, a disciplina e a violência se misturam dentro de uma família.
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