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4 animes de ação e aventura que superam Pokémon em alguns aspectos

4 animes de ação e aventura que superam Pokémon em alguns aspectos
4 animes de ação e aventura que superam Pokémon em alguns aspectos
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Pokémon é, sem dúvida, uma das franquias multimídia mais bem-sucedidas do mundo — e o anime foi uma peça central para transformar o universo dos games em um fenômeno cultural. Com quase três décadas no ar, mais de 1.300 episódios e dezenas de filmes, a série ajudou a consolidar um modelo que funciona: aventura em um mundo bem definido, descobertas constantes e batalhas com regras claras. Ainda assim, mesmo com todo o seu impacto, Pokémon não é perfeito. A quantidade de episódios, por exemplo, pode tornar algumas tramas repetitivas, e nem sempre a narrativa consegue evoluir no mesmo ritmo do carisma dos personagens.É nesse espaço que outros animes de ação e aventura — com monstros, desafios e histórias próprias — conseguem chamar atenção. Alguns até parecem “concorrentes” diretos do formato, mas acabam oferecendo algo diferente: mais densidade psicológica, arcos mais fechados ou batalhas com apostas mais altas. A seguir, veja quatro séries que, em diferentes aspectos, podem “bater” Pokémon no próprio terreno.

Digimon Tamers: monstros com peso emocional e filosofia

Quando o assunto é “clones” de Pokémon, Digimon costuma entrar na conversa. Mas a franquia tem identidade própria, e Digimon Tamers é um exemplo especialmente forte. Embora não tenha alcançado os mesmos picos de popularidade do rival, Digimon já produziu dez animes e passou da marca de 500 episódios, mantendo o gênero de aventura com criaturas como eixo central.

O que torna Tamers tão marcante é o tom mais maduro e a forma como a série organiza sua narrativa. Em vez de depender apenas de episódios independentes, o anime aposta em uma construção mais condensada e seriada, com desenvolvimento de personagens que vai ganhando força ao longo do tempo. Há quem argumente que Digimon Adventure e Digimon Adventure 02 também superam Pokémon por serem histórias mais econômicas, com começo, meio e fim mais evidentes. Ainda assim, Tamers se destaca por ser ambicioso e, ao mesmo tempo, muito bem direcionado.

O anime consegue fazer algo raro dentro do subgênero: usar a relação entre humanos e Digimons como ponto de partida para discutir temas difíceis. A série, escrita por Chiaki J. Konaka — conhecido por trabalhos como Serial Experiments Lain, The Big O e Texhnolyze — traz influências claras no modo como observa vínculos, escolhas e consequências. Em Tamers, a história desmonta (e reconstrói) a ideia de “destino” e questiona o que seria uma relação saudável entre cada Digi-Destinado e seu Digimon. Não é apenas sobre vencer batalhas; é sobre entender o que está por trás delas.

Mesmo quando há aventuras episódicas, o anime não perde o fio condutor. E, no fim, o elenco dá passos grandes em termos de crescimento. Enquanto o desenvolvimento de Ash em Pokémon costuma ser mais sutil e menos explícito, Tamers deixa claro como as pessoas mudam — e como os monstros também refletem essas transformações.

GeGeGe no Kitaro: yokai, folclore e um olhar mais complexo sobre o humano

Nem todo anime “de monstros” precisa ser sobre capturar criaturas ou competir em torneios. GeGeGe no Kitaro é um exemplo de como o gênero pode seguir outra rota: ação e aventura com elementos de fantasia sombria, inspirada no folclore japonês e nos yokai — seres do imaginário popular que, em muitas histórias, funcionam como metáforas para medos, comportamentos e dilemas morais.

Embora seja mais conhecido no Japão, a série passou relativamente “discreta” fora de lá. Ela existe desde a década de 1960 e já teve seis adaptações diferentes. A versão de 2018, com 97 episódios, é apontada como a mais forte e também uma boa porta de entrada para quem quer começar do zero.

O protagonista, Kitaro, não vive a lógica de “capturar” como em Pokémon. Em vez disso, ele circula em um mundo onde yokai e figuras sobrenaturais estão ao redor — e muitos deles poderiam, em uma comparação imaginativa, se encaixar em categorias semelhantes às de Pokémon, como tipos ligados ao “fantasma” ou ao sobrenatural. Ainda assim, a estrutura do anime conversa com o molde de aventura: há ação, confrontos e desafios, mesmo que não existam batalhas organizadas do jeito tradicional.

Um ponto que chama atenção é o equilíbrio entre otimismo e dureza. Kitaro compartilha com Ash uma postura positiva diante do perigo, mas a série não simplifica o mundo. Ele enfrenta o mal diretamente, porém também permite que pessoas egoístas sofram as consequências de suas escolhas. Essa complexidade dá ao personagem uma profundidade que, muitas vezes, falta ao protagonista de Pokémon — pelo menos no formato em que a série costuma se apresentar.

Além disso, GeGeGe no Kitaro acerta ao transformar folclore em narrativa com função. O anime educa o público sobre tradições e histórias antigas, mas sem transformar isso em aula. As consequências morais dos atos dos personagens têm um “peso karmico” que faz o espectador refletir sobre hábitos e atitudes do mundo real. Não é uma mensagem piegas; é uma abordagem que tenta manter a fantasia e, ao mesmo tempo, provocar.

Monster Rancher: aventuras com companheiros que carregam traumas

Monster Rancher também tem DNA parecido com Pokémon. A origem em videogame e a presença de “companheiros” monstruosos aproximam as duas franquias, e por isso é fácil reduzir o anime a mais do mesmo. Só que a série vai além do esperado e encontra espaço para explorar territórios mais interessantes do que uma simples repetição do modelo.

Logo no início, o anime lembra Pokémon por causa do ritmo: episódios que destacam um monstro diferente, com Genki e seus aliados corrigindo injustiças. Essa fórmula funciona e ajuda a apresentar o universo. Mas o que realmente diferencia Monster Rancher é como ele constrói o elenco de criaturas. Muitos dos monstros têm histórias traumáticas, o que adiciona camadas de profundidade às relações e aos conflitos.

Mesmo quando o anime brinca com histórias episódicas, existe uma força narrativa que impede que a jornada pareça sem direção. Isso é crucial para uma aventura de ação: o espectador precisa sentir que cada episódio é parte de algo maior. E, em Monster Rancher, a trama maior aparece com clareza ao longo do tempo.

A missão de reviver a Fênix e derrotar o tirânico Moo funciona como gancho central. Conforme o anime avança, os detalhes sobre Moo se tornam mais relevantes e a história vai ficando progressivamente mais sombria. As temporadas seguintes fazem movimentos maiores, mexendo com o status quo e elevando o nível de risco. Há quem assista a alguns episódios e ache que “entendeu” a série, mas perde justamente a beleza do modo como ideias e relações evoluem — e como tudo se conecta no final.

Yu-Gi-Oh! Duel Monsters: estratégia, mitologia e apostas cósmicas

Se Pokémon é um fenômeno que cresceu junto com seus games e com o anime, Yu-Gi-Oh! seguiu caminho semelhante ao se consolidar com o Trading Card Game. Em Yu-Gi-Oh! Duel Monsters, a série foca mais em ação e duelo do que em aventura, mas ainda assim consegue capturar uma energia parecida: a sensação de que cada confronto é uma prova de estratégia e de crescimento.

O anime, segundo a descrição do material original, tem mais de 200 episódios e acompanha a jornada intensa de Yugi Muto no mundo dos Duel Monsters. O diferencial aqui é que os duelos priorizam planejamento e leitura do adversário, em vez de depender apenas de força bruta. Em Pokémon, existe estratégia na escolha de tipos e movimentos, mas o ritmo pode soar mais repetitivo em alguns momentos. Já em Yu-Gi-Oh!, a série tende a evitar a estrutura “monstro da semana” na maior parte do tempo, construindo antagonistas recorrentes e ameaças que vão ficando maiores.

Outro elemento que eleva o nível é a mitologia egípcia. A história envolve o espírito do Faraó e uma missão ligada à salvação da alma do avô de Yugi. Isso dá ao universo um contexto mais amplo e, em termos de escala, coloca as apostas em outro patamar: as consequências sugerem algo que vai além de vida e morte, com implicações quase “cósmicas”.

Há também um lado que pode dividir opiniões: o lore egípcio, em alguns momentos, fica complexo e pode parecer confuso. Ainda assim, a série encontra um jeito de manter o entretenimento, inclusive com humor e autoconsciência. E mesmo a dublagem em inglês, que toma liberdades criativas, acabou conquistando público justamente por abraçar o absurdo em certos momentos.

No fim, o que Yu-Gi-Oh! Duel Monsters oferece é uma alternativa para quem gosta do clima de “batalhas com regras”, mas quer ver a tensão crescer com estratégia, rivalidades e uma mitologia que se expande.

Por que essas séries funcionam para quem gosta de Pokémon

Apesar de serem diferentes entre si, esses quatro animes compartilham algo importante: eles entendem o que prende o público no formato de ação e aventura com monstros. Eles criam mundos com identidade, colocam desafios que fazem os personagens evoluírem e usam as criaturas como espelho emocional ou como ferramenta narrativa. O que muda é a ênfase. Digimon Tamers aposta em psicologia e filosofia; GeGeGe no Kitaro transforma folclore em reflexão; Monster Rancher dá profundidade a companheiros com traumas; e Yu-Gi-Oh! Duel Monsters eleva a tensão com estratégia e mitologia.

Pokémon continua sendo referência, mas é justamente por isso que vale olhar para as alternativas. Para muitos fãs, descobrir séries que “jogam o mesmo jogo” — só que com regras emocionais e estruturais diferentes — é uma forma de renovar o interesse pelo gênero. E, no fim, a melhor aventura é aquela que faz você voltar a sentir curiosidade pelo próximo desafio.


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Fonte: CBR

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