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5 animes clássicos dos anos 80 que envelheceram mal (e por quê)

5 animes clássicos dos anos 80 que envelheceram mal (e por quê)
5 animes clássicos dos anos 80 que envelheceram mal (e por quê)
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Os anos 80 foram um período decisivo para a animação japonesa. A década ficou marcada por experimentações, mudanças de tom em vários gêneros e pelo crescimento de formatos como as OVA (produções lançadas diretamente em vídeo). Muitos títulos daquele período viraram referência — e, ainda hoje, influenciam séries e mangás. Mas nem tudo resistiu ao tempo: 5 animes clássicos dos anos 80 que envelheceram mal ainda impressionam historicamente, porém hoje podem soar difíceis de assistir ou deixar a sensação de que ficaram presos na própria época.

A seguir, veja cinco obras do “auge” dos anos 80 que, apesar de seu lugar na história, hoje parecem difíceis de acompanhar ou deixam a impressão de que não conversam tão bem com o público atual.

01. Hokuto no Ken (Fist of the North Star): a energia agressiva perdeu o impacto

Fist of the North Star, de Buronson e Tetsuo Hara, é um daqueles títulos que ajudaram a moldar a linguagem do anime de ação. A série influenciou franquias que vieram depois, como JoJo’s Bizarre Adventure, Berserk e até Dragon Ball Z. Ela também chegou em um momento perfeito para o público dos anos 80: batalhas brutais e ultraviolentas estavam ganhando espaço, e o cenário pós-apocalíptico se consolidava como um dos grandes “cartões-postais” do período.

Na prática, a obra acompanha Kenshiro, um guerreiro errante que domina a arte marcial Hokuto Shinken, capaz de atingir pontos vitais do corpo. O resultado é uma violência estilizada, com lutas que parecem feitas para impressionar mais do que para construir tensão dramática. Em seu contexto original, isso funcionava como um contraponto sombrio a outros fenômenos culturais da época, criando um “clima” que lembrava a dureza de histórias como Mad Max.

O problema é que, para quem assiste hoje, a série tende a soar repetitiva. A falta de sutileza que antes era parte do charme passa a ser um obstáculo, e o enredo se apoia em uma fórmula episódica que se estende por mais de 150 episódios. Como era comum no período, há episódios que funcionam como “preenchimento” e um ritmo que vai perdendo força. Assim, o que poderia ser uma jornada intensa vira uma maratona difícil de sustentar.

Além disso, a história se apoia muito em “bem contra mal” e em antagonistas absurdos, com ação exagerada e pouca variação estrutural. Para muitos espectadores, o que era icônico deixa de ser empolgante e passa a ser cansativo.

02. Angel Cop: cyberpunk com mensagem embaralhada

Angel Cop é uma OVA de seis episódios lançada no fim dos anos 80 e, por isso mesmo, carrega a estética e o espírito da década de forma concentrada. Ela tenta abraçar o cyberpunk com violência e tensão policial, em uma linha que lembra outras produções do período, como Wicked City e Demon City Shinjuku. Há, sim, momentos em que o mundo criado pela série parece promissor: a mistura entre psicologia, tecnologia e confronto armado rende algumas imagens fortes e uma construção de cenário que prende.

A protagonista, uma integrante de uma força policial de elite, enfrenta terroristas domésticos enquanto uma disputa psíquica ganha tração. A ideia de “poderes mentais versus soldados altamente equipados” é simples, mas eficiente para gerar conflito visual e ação. O que derruba a experiência, porém, é o roteiro. A trama central de conspiração é descrita como problemática e, em muitos pontos, confusa — o que faz a obra perder a chance de ser um cyberpunk mais consistente.

Quando foi lançada, a série era vista como um passo importante para o gênero. Hoje, a impressão é de que ela virou um exemplo de como certas intenções do período não se sustentam com o tempo. E, para quem tenta assistir com legendas ou dublagem em inglês, a recepção pode piorar: existe uma adaptação que segue o caminho do “gag dub”, transformando o material em piada. Para parte do público, isso pode atrair curiosos, mas também cria um tipo de audiência que, em vez de buscar entender a mensagem original, assiste como quem ri do que está na tela.

Mesmo com apenas seis episódios, a obra pode ser difícil de finalizar, justamente por causa do desequilíbrio entre visual, proposta e execução narrativa.

03. Kinnikuman: a subversão do shonen esbarra em humor ultrapassado

Kinnikuman é uma mistura peculiar: combina wrestling com batalhas dramáticas típicas do shonen, colocando aliens e criaturas fantásticas em torneios de luta. A série nasceu como uma paródia de Ultraman, e sua proposta de exagero e estranheza faz parte do DNA do título. Ainda assim, a obra também carrega um humor que, para muitos espectadores, envelheceu mal.

O mangá e o anime existem há quase 50 anos, mas o impacto fora do Japão sempre foi menor do que o potencial da ideia. No Ocidente, muitos fãs conhecem principalmente o sucessor de 2002, que a 4Kids rebatizou como Ultimate Muscle. Esse anime dos anos 2000, apesar de continuar amplo e por vezes simplório, teria aprendido com os problemas do original.

Já o Kinnikuman dos anos 80 é apontado como o período mais “crasso” e pueril da franquia. A série teve uma longa execução, com 137 episódios, o que, em vez de ajudar, pode ampliar a sensação de que o material não encontra um equilíbrio. Tudo parece datado: o humor de “fácil entendimento” (incluindo piadas corporais), a crueldade exagerada e um certo acampamento cômico que nem sempre funciona.

Ao mesmo tempo, há quem reconheça que a base é interessante. A ideia de um híbrido entre esporte e shonen, com elementos absurdos, poderia ter encontrado um público internacional maior se tivesse sido ajustada com mais cuidado. O que acontece, porém, é que o tom geral da obra — em especial no original — dificulta a conexão com quem assiste hoje.

04. Space Adventure Cobra: uma missão genérica com personagens parados

Histórias de ficção científica e space opera com caçadores de recompensas “fora do padrão” são um terreno fértil no anime. Outlaw Star, Cowboy Bebop e Space Pirate Captain Harlock são exemplos de como esse tipo de premissa pode render personagens marcantes e mundos ricos. Space Adventure Cobra tem elementos que lembram esse caminho, mas, para quem revisita a obra, a sensação é de que ela parece ter sido gerada por uma lógica genérica de “space opera dos anos 80”.

A série acompanha Cobra, um pirata espacial que tenta abandonar a vida de crime para viver de forma mais simples. Só que ele é puxado de volta para a ação quando é solicitado a ajudar uma caçadora de recompensas andróide a resgatar suas irmãs de um antagonista chamado Crystal Boy. Cobra usa sua arma cibernética, o Psychogun, enquanto tenta manter a ordem e corrigir “errados” espalhados pela galáxia.

O argumento de que a obra funcionava melhor no contexto original é compreensível: naquele momento, esse tipo de série ainda estava ganhando forma. O problema é que, em uma reassistida moderna, a trama parece “fina”, com desenvolvimento limitado. Cobra e o restante do elenco permanecem, em grande parte, sem evolução real, e a história luta para construir progressão consistente.

Há também questões de representação feminina que hoje são difíceis de ignorar. Mesmo que a série não seja descrita como tão inadequada quanto outros títulos do período, ainda assim o retrato causa desconforto. E a experiência pode ficar ainda mais evidente quando o público assiste ao remaster em 4K do longa-metragem: a imagem melhora e o visual ganha força, mas o que deveria ser um “novo olhar” acaba destacando ainda mais as limitações do roteiro e do desenvolvimento de personagens.

05. Saint Seiya: o peso do filler e o ritmo que não sustenta

Saint Seiya — também conhecido como Knights of the Zodiac — é um marco da cultura pop japonesa. A franquia nasceu nos anos 80 e, ao longo do tempo, gerou continuações, spin-offs, expansões e até um filme de live-action. No conjunto, o universo da obra mantém valor e oferece ao público masculino uma espécie de paralelo com Sailor Moon: ambos seguem guerreiros místicos encarregados de proteger uma entidade ligada a uma deusa reencarnada.

O anime aplica uma abordagem mitológica ao shonen de artes marciais. Cinco guerreiros usam armaduras sagradas para ascender em direção ao poder e proteger a Terra de deuses vingativos. A premissa, em si, continua funcionando. O que atrapalha é que o anime original, com 114 episódios, é descrito como um produto muito típico da época, com episódios de filler que atrapalham o fluxo.

Esses problemas tendem a se intensificar nos arcos mais tarde, quando a mensagem se dilui e a série parece “arrastar os pés” em vez de caminhar com firmeza para um final mais empolgante. Há muita ação e momentos de impacto, mas o padrão de lutas segue fórmulas previsíveis. Como as sequências de batalha têm um ritmo lento e pouca variação, o que poderia ser emocionante perde parte do brilho.

Em resumo: Saint Seiya é grande, influente e cheio de identidade. Mas, para muitos espectadores, o volume de episódios e a presença de filler tornam a jornada mais difícil do que deveria ser.


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