O Sistema de Gestão para Empresas de Telecom, Linhas Telefônicas e IPTV
Animes

5 animes clássicos dos anos 2010 que envelheceram mal (e hoje podem ser difíceis de assistir)

5 animes clássicos dos anos 2010 que envelheceram mal (e hoje podem ser difíceis de assistir)
5 animes clássicos dos anos 2010 que envelheceram mal (e hoje podem ser difíceis de assistir)
Índice

Os anos 2010 foram um período de transição importante para o anime. Não era uma década tão distante assim, mas foi tempo suficiente para o mercado se reorganizar, novas tendências ganharem força e algumas produções se consolidarem como “clássicos” — mesmo que, com o passar dos anos, nem todas tenham resistido ao teste do tempo. Enquanto títulos como Violet Evergarden, Mob Psycho 100, Space Dandy e Your Lie in April continuam sendo lembrados por suas qualidades e por como marcaram o público, outros animes daquela mesma década ganharam fama no lançamento, porém hoje parecem mais um desafio do que uma experiência prazerosa.

Em muitos casos, o problema não é apenas o gosto pessoal. Alguns enredos se perderam no caminho, adaptações falharam em ritmo e coerência, ou o desenvolvimento de personagens ficou raso demais para sustentar o impacto prometido. A seguir, veja cinco exemplos de animes dos anos 2010 que envelheceram mal — e que podem exigir mais paciência do que o normal para quem tenta revisitar.

Tokyo Ghoul: adaptação conturbada e decisões que desandaram

Tokyo Ghoul, de Sui Ishida, virou um fenômeno ainda no mangá, com estreia em 2011, e a adaptação para anime chegou alguns anos depois como uma das mais aguardadas da década. A história se passa em uma Tóquio sombria, onde humanos e ghouls convivem de forma instável. O protagonista, Ken Kaneki, sofre um acidente e passa a carregar uma condição híbrida: ele se torna, ao mesmo tempo, parte humano e parte ghoul. A partir daí, sua compreensão sobre os próprios poderes e sobre onde ele se encaixa no mundo conduz grande parte do drama da obra.

Na primeira temporada, o anime consegue cumprir bem o papel de adaptar o material original. O problema aparece quando a série avança para a segunda temporada, Tokyo Ghoul √A, que segue por uma rota original e se afasta do mangá. O resultado, para muitos espectadores, foi uma perda considerável de confiança: a narrativa fica confusa, o desenvolvimento de personagens oscila e a sensação é de que a história tenta correr para chegar a um destino sem construir o caminho com a mesma força do começo.

Mais tarde, a franquia retornou com Tokyo Ghoul:re, que retoma o ponto em que o mangá havia deixado e, em termos técnicos, acompanha o desfecho do material original. Ainda assim, a percepção de parte do público é que a adaptação foi apressada e mal distribuída no ritmo. Eventos importantes acabam não “assentando” emocionalmente, e a série passa a render menos do que deveria conforme as temporadas avançam.

Quando a franquia completou 10 anos em 2024, fãs esperavam uma espécie de reboot moderno, capaz de colocar Tokyo Ghoul de volta ao centro do debate com uma adaptação mais fiel e bem planejada. Até lá, para quem revisita a obra hoje, o sentimento recorrente é o de que a franquia ficou marcada por escolhas que prejudicaram a experiência. Em outras palavras: para muitos, a recomendação passa a ser conhecer a história pelo mangá, onde o impacto tende a ser mais consistente.

Akame ga Kill!: quando o excesso substitui o sentido

Akame ga Kill! começa com uma premissa que funciona: uma fantasia sombria com suspense, espionagem, ação e vingança. O protagonista, Tatsumi, é um jovem que sai de sua vila e se junta a um grupo de assassinos altruístas, o Night Raid. A missão do grupo é desmantelar o Império corrupto, e a empatia pelo objetivo de Tatsumi ajuda a sustentar o interesse no início. Há, portanto, um potencial claro para a série crescer como narrativa de conflito moral e política.

O que acontece, porém, é que a obra tende a empurrar tudo para o extremo. Com o tempo, várias ideias passam a ficar distantes dos personagens, como se a história priorizasse o choque e a destruição acima de construir profundidade. Os antagonistas, por exemplo, podem soar como vilões “de uma nota só”, sem camadas que expliquem motivações além do puro mal. E, conforme a violência aumenta, o volume de mortes e destruição começa a corroer o próprio peso dramático.

Em teoria, mais devastação poderia significar apostas mais altas. Na prática, para parte do público, isso vira uma espécie de “edgy” automático: a série parece apostar que o impacto vem do quanto ela consegue ser brutal, e não do quanto ela consegue ser coerente e significativo. O final também não ajuda. O desfecho que a obra constrói é alvo de críticas, inclusive entre fãs do mangá original, e mesmo quem não conhece a fonte pode sentir que a conclusão não entrega o que foi prometido ao longo do caminho.

Darling in the FranXX: uma base forte que se desfaz

Darling in the FranXX estreou em 2018 e virou sensação rapidamente. A série distópica de mechas parecia tocar em um território familiar para quem gosta do gênero, lembrando obras que também usam adolescentes como catalisadores de mudança e salvação do mundo, como Neon Genesis Evangelion e RahXephon. Além disso, a história fica entre o sci-fi “duro” e o melodrama romântico, em parte porque os mechas dependem de uma dupla de pilotos — o que cria um espaço narrativo para tensão emocional e conflito de identidade.

Apesar de ter apenas 24 episódios, a percepção de muitos espectadores é que a série começa a desmoronar depois do episódio 15. A partir daí, o que deveria ser uma escalada natural vira uma sensação de improviso. O terço final, em especial, costuma ser descrito como desorganizado, com decisões que não parecem surgir de forma orgânica do que foi estabelecido antes.

Para quem ficou até o fim, a frustração vem do contraste: havia uma fundação interessante, com mundo e premissas que prendiam. Só que, quando chega a hora de amarrar tudo, a obra não sustenta a mesma força. Assim, Darling in the FranXX acaba funcionando, para muitos, como um monumento ao potencial desperdiçado.

Se a intenção é assistir a um anime de mecha com guerra emocional e narrativa mais consistente dentro dos anos 2010, a comparação que costuma aparecer é com Mobile Suit Gundam: Iron-Blooded Orphans, que, embora tenha seu próprio estilo, tende a oferecer uma experiência mais estável para quem busca impacto dramático.

Angel Beats!: uma ideia criativa que não se sustenta

Angel Beats! tem uma ideia central que chama atenção desde o começo. A série apresenta um cenário subversivo: um grupo de adolescentes preso em uma espécie de “battle royale” brutal dentro de uma escola que funciona como purgatório. Enquanto lidam com traumas e dores, existe ainda a presença de uma entidade divina invisível e de uma “Angel” manipuladora que puxa os fios do conflito. É um conceito que, no lançamento, soou como novidade e trouxe frescor para o público.

O problema é que, com o tempo, esse “purgatory death school” deixou de ser exclusivo. A fórmula foi repetida e explorada por outras produções, e o que antes parecia singular passa a soar familiar demais para o padrão atual do anime. Isso não significa que Angel Beats! seja ruim em todos os aspectos, mas, para quem revisita hoje, a sensação é de que a série depende demais do espetáculo do próprio conceito.

Além disso, a obra não parece decidir com firmeza que tipo de história quer ser. Há momentos de comédia absurda e melodrama extremo, elementos que podem entrar em choque com o tom mais sério do restante da narrativa. Para parte do público, isso cria uma experiência irregular: a série alterna emoções sem necessariamente construir transições que façam sentido.

Outro ponto recorrente nas críticas é que o elenco, em vez de ganhar desenvolvimento consistente, fica preso em arquétipos. Quando personagens não evoluem de forma convincente, o peso emocional diminui. A impressão final é de que Angel Beats! parece ter sido comprimido: como se uma história pensada para 26 episódios tivesse sido colocada dentro de 13. O resultado é uma trama acelerada, com acontecimentos que nem sempre parecem “ganhar” o espaço necessário para serem sentidos.

Attack on Titan: a mudança de rumo que divide o público

Attack on Titan foi praticamente inevitável nos anos 2010. A série se tornou uma das mais reconhecíveis de todos os tempos, e isso aumenta a pressão sobre qualquer produção: quando um anime vira referência cultural, o público passa a esperar que o final seja digno de toda a jornada. A obra começou como um survival horror duro, com a humanidade tentando sobreviver ao ataque de titãs monstruosos. Com o tempo, porém, a série expandiu o escopo, recontextualizou os titãs e passou a sugerir que, em certos aspectos, os humanos podem ser piores do que as criaturas gigantes.

Essa expansão, por si só, tem mérito. A forma como a história amplia o mundo e mantém coerência com a missão original é vista como natural por muitos. Ainda assim, a quarta temporada é frequentemente descrita como um “quase reboot”, em parte por causa de um salto temporal significativo, pela mudança do foco para novos personagens e pelo ângulo narrativo que passa a acompanhar o “lado do inimigo”. Além disso, o protagonismo que guiava a série perde força como eixo central.

O que torna a discussão mais acalorada é o tipo de decisão que a história coloca nas mãos de Eren Jaeger. A série é reconhecida por empurrar o personagem para lugares difíceis e por lidar com dilemas morais complexos. Mesmo assim, é compreensível que parte dos fãs tenha reagido mal ao grande giro: as escolhas feitas por Eren “pelo bem maior” dividem opiniões. Há quem veja o desfecho como uma síntese bonita da mensagem anti-guerra do anime. Outros, porém, lamentam que a obra tenha se afastado do que foi sugerido nas temporadas iniciais.

Em retrospecto, o desafio para muitos espectadores é revisitar a série sabendo onde a história quer chegar. Quando um anime percorre tanto terreno e muda tanto o foco, o final deixa de ser apenas “o último episódio” e passa a reescrever a leitura de tudo o que veio antes. Para alguns, isso é um mérito. Para outros, vira um obstáculo para revisitar Attack on Titan sem frustração.


Confira mais novidades em nosso Portal de Notícias!


 

Comentários

Carregando...

Carregando comentários...