A AnimEigo, distribuidora de animes, e sua empresa-mãe, a MediaOCD, publicaram o episódio mais recente de The Anime Business no YouTube. O programa traz uma entrevista com Jerome Mazandarani, ex-diretor executivo da Manga Entertainment — uma das figuras centrais na história do licenciamento de animes no Reino Unido e em grande parte da Europa. Com mais de 18 anos de atuação no setor, Mazandarani relembra bastidores, decisões estratégicas e mudanças profundas que transformaram o mercado, do auge do home video ao impacto do streaming.
O Episódio 15 já está disponível no canal oficial da AnimEigo no YouTube. Ele dá continuidade ao quadro em formato de conversa, que vem registrando a trajetória de profissionais que ajudaram a construir a indústria de animes fora do Japão. Para quem acompanha o tema, a proposta do programa é oferecer um registro em primeira mão sobre como marcas, catálogos e modelos de negócio evoluíram ao longo das últimas décadas.
Episódio 15 de The Anime Business: de onde veio Jerome Mazandarani
Jerome Mazandarani cresceu na Austrália e se mudou para o Reino Unido nos anos 1990. Segundo o material divulgado, foi durante um período trabalhando na Pinnacle Entertainment — especialmente na gestão de distribuição de diversos títulos de videogames japoneses — que ele retomou o interesse por animes. A Pinnacle compartilhava escritório em Londres com a Manga Entertainment, e Mazandarani acabou se aproximando do ambiente que, naquele momento, começava a ganhar força no Reino Unido e em partes da Europa.
A Manga Entertainment foi fundada em 1991 por Chris Blackwell e Andy Frain. Ao longo dos anos, a empresa se consolidou como um nome relevante como produtora, licenciadora e distribuidora de animes, atuando em mercados como Reino Unido, Irlanda, Estados Unidos e Austrália. No The Anime Business, a série já havia entrevistado Andy Frain no episódio 5, com uma entrevista complementar do produtor executivo Lawrence Guiness no episódio 6.
Com o novo capítulo, a AnimEigo amplia esse panorama histórico com a visão de Mazandarani, que acompanhou de perto a consolidação do setor.
A virada do catálogo: de filmes para séries e o avanço do “mainstream”
Um dos pontos centrais do episódio 15 é a percepção de Mazandarani sobre o potencial de licenciar séries de anime. Até então, a Manga Entertainment tinha sua reputação e parte do modelo de negócios muito ligados a filmes como Akira e Ghost in the Shell. No episódio, o entrevistado relata que, ao identificar uma oportunidade clara no formato seriado, ajudou a ampliar o catálogo e a mudar o rumo do negócio.
Com apoio de Kaoru Mfaume, Mazandarani teria contribuído para a inclusão de Naruto no portfólio. O anime se tornou um grande sucesso e, de acordo com a narrativa do episódio, ajudou a marcar um ponto de inflexão: a chegada do anime ao público mais amplo no Reino Unido. A partir daí, a Manga Entertainment acelerou a sequência de títulos que se tornariam referência para fãs e para o mercado.
Entre os sucessos citados no episódio estão Death Note, Bleach, Fullmetal Alchemist: Brotherhood, Soul Eater e Dragon Ball Z. Além das séries, a empresa também continuou investindo em longas e em obras consideradas marcantes, como The Girl Who Leapt Through Time, de Mamoru Hosoda.
Ascensão na empresa e mudanças no modelo com o streaming
Com o tempo, Mazandarani chegou ao cargo de diretor executivo. Mesmo com a continuidade do sucesso, o setor passou por transformações que envolveram aquisições e reorganizações de marcas. O episódio menciona que a Manga Entertainment passou por ciclos de compra e venda que incluíram empresas como Anchor Bay, Starz e, mais tarde, Funimation e Sony.
O entrevistado também aponta que o cenário começou a mudar de forma mais intensa a partir de 2015. Foi nesse período que plataformas de streaming como Netflix e Crunchyroll passaram a alterar radicalmente o mercado de home media e, consequentemente, o modelo de negócios associado à distribuição tradicional.
Em vez de depender apenas de lançamentos físicos e janelas de consumo, a indústria passou a lidar com novas formas de acesso. Isso teve impacto direto na forma como catálogos são negociados e como os títulos chegam ao público.
Apesar do olhar para o passado, o episódio não fica restrito à história do licenciamento. Mazandarani também relembra com orgulho seu trabalho como produtor de Cannon Busters, uma adaptação com estética “leste encontra oeste” baseada em uma história em quadrinhos reconhecida. Segundo a divulgação, a obra foi disponibilizada na Netflix — um exemplo de como o conteúdo passou a circular em escala global por meio de plataformas digitais.
O que sustenta o anime: conteúdo e comunidade
Um dos trechos mais relevantes do episódio 15 é a ênfase no papel da comunidade. Para Mazandarani, uma parte importante do prazer de consumir anime não está apenas no conteúdo em si, mas também nas relações construídas entre fãs. Essa rede de conexões, segundo ele, ajuda o gênero a resistir ao tempo e a crescer, funcionando como um motor cultural.
O entrevistado compara o anime à música ao destacar como o gênero pode se tornar um ponto de virada para a juventude e para a cultura pop. Além dos videogames, o anime seria o primeiro formato audiovisual capaz de se transformar em estilo de vida e em referência para a identidade do fã.
Em outras palavras: não se trata apenas de assistir a histórias. Para muitos, o anime passa a definir hábitos, conversas, pertencimento e até a forma de enxergar a própria experiência.
Com esse recorte, The Anime Business reforça sua proposta de registrar não só decisões empresariais, mas também o impacto cultural que sustenta o mercado. O episódio 15, portanto, funciona como uma ponte entre a história do licenciamento e a realidade atual, em que streaming e globalização redefiniram o caminho do conteúdo até o público.
Fonte: Press Release



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